segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pablo Escobar - pela Isabel de Almeida

“Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou”, de Juan Pablo Escobar
Planeta

Texto e Foto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista

Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou, é o mais recente livro de cariz biográfico e documental escrito por Juan Pablo Escobar (agora, Juan Sebastián Marroquin Santos), filho do célebre traficante Pablo Escobar. nesta segunda obra o autor desvenda, na sequência de uma apurada investigação por si realizada, tendo por base documentação e testemunhos reais de familiares de vítimas do pai, de aliados e colaboradores próximos do mesmo e até de inimigos assumidos de Escobar, uma série de factos que constituem uma verdadeira pedrada no charco em termos de revelações dos meandros mais obscuros das ligações entre Pablo Escobar e os mundos da política, da corrupção internacional ao mais alto nível, e de organizações que deveriam zelar pela segurança de países e pelo combate ao crime organizado, mas que acabaram, muitas vezes, a revelar-se aliados e cúmplices do mesmo (clamoroso exemplo é, neste caso, a DEA).
O próprio autor reconhece a sua estupefacção ao descobrir muitos destes novos detalhes, mas conseguiu também, com o seu trabalho de investigação, fruto de uma enorme coragem de enfrentar um passado que transporta uma herança deveras pesada, desmistificar alguns factos que eram tidos como certos, e clarificar a prática de crimes que vinha sendo imputada a Pablo Escobar, mas de forma errónea mas conveniente a várias alianças e jogos de interesses obscuros.
O livro relata também ligações entre Escobar e pessoas ou organizações que se revelaram surpreendentes e eram, até agora, desconhecidas até dos seus familiares mais próximos, pois cabe recordar que o narcotraficante era uma figura repleta de ambiguidades, e protegia o mais possível a família do seu modo de vida ilícito.
Ficamos a conhecer o relato de Aaron Seal, filho do Barry Seal (piloto da CIA, informador da DEA e colaborador do Cartel de Medellín, tendo a sua execução sido ordenada por Pablo Escobar, na sequência de haver descoberto uma traição ao Cartel), temos acesso a conversas mantidas entre Juan Pablo Escobar e outras figuras de relevo na história da família Escobar, do narcotráfico e da própria Colômbia. É revelador e interessante ir desvendando os relatos de pessoas tão díspares como: filhos de vítimas de Escobar;William Rodríguez Abadia, filho de Miguel Rodríguez Orejuela, um dos mais firmes inimigos de Pablo Escobar; Otty Patiño, um dos fundadores da organização revolucionária M19 ( que clarificou episódios como o da Espada de Bolívar e do rapto de Marta Nieves Ochoa, ou o verdadeiro papel dos irmãos Castaño no assassinato de Carlos Pizarro); velhos colaboradores de Pablo como o Malévolo; Luca, Quijada (Tesoureiro de Escobar).
Como já havia sido feito no primeiro livro, Juan Pablo Escobar voltou a exercitar na perfeição o seu  dom de envolver os leitores na história que vai relatando, entretecendo de forma natural e bastante hábil factos e emoções, e não se escusando a expressar as suas opiniões bastante claras e fundamentadas acerca do mundo do narcotráfico onde lhe coube viver sem direito a escolha e por inerência da história familiar. O autor usa um discurso claro, detalhado e bem fundamentado com documentos e testemunhos, que complementa com a sua perspectiva pessoal e mais intimista acerca dos duros temas aqui esmiuçados.
O capítulo 12 da obra é, talvez, aquele que poderá suscitar a curiosidade de uma ainda maior galeria de leitores, na medida em que o autor demonstra a sua preocupação perante a imagem idealizada e até mesmo glorificada do modo de vida de um barão da droga (como foi o seu pai), podendo induzir em erro os mais jovens espectadores das narcosséries (séries que, misturando ficção e realidade, se inspiram na vida de figuras do mundo do crime como Pablo Escobar). Neste capítulo do livro Juan Pablo Escobar desmonta peça a peça muitos dos erros da série Narcos (série televisiva produzida pela Netflix e que, nas duas primeiras temporadas, apresenta uma versão ficcionada da vida de Pablo Escobar), em 28 pontos cuja leitura recomendamos a quem, como nós, tenha seguido a série em questão, e que assim pode criticamente formar a sua própria convicção sobre o tema abordado.
O final do livro volta a afirmar taxativamente a perspectiva pessoal do autor quanto ao consumo e tráfico de drogas, apelando a que não seja  seguido o exemplo do seu pai, e desejando que as futuras gerações possam encontrar medidas que permitam controlar este perigo à escala mundial, sendo necessária uma mudança de mentalidades aos níveis social, político e pessoal que, a avaliar pelos números envolvidos no tráfico e consumo de drogas, ainda estará muito longe de se concretizar, até porque se trata de um assunto muitíssimo complexo e que envolve diversos sectores da sociedade.
Mais uma vez, uma obra de não-ficção de fácil, envolvente e rápida leitura, bastante reveladora e surpreendente, que pode constituir um importante alerta para um dos graves problemas de adição que ainda hoje enfrentamos em todo o mundo.

Ficha Técnica do Livro:

Título: Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou
Autor: Juan Pablo Escobar
Editora: Planeta
1ª Edição: Abril de 2017
Nº de Páginas: 200
Classificação: 5|5 Estrelas

Género: Biografia | Testemunho | Caso Real


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E - O que estás a ler

Estou a começar a ler o Assim nasceu Portugal III - Os conquistadores de Lisboa, de Domingos Amaral, autor de quem gosto muito.


domingo, 20 de agosto de 2017

Ameaça entre as sombras

     Opinião: Conheço os livros de Linda Howard desde que a Saída de Emergência publicou os seus livros em 2008, 2009. Depois fiquei à espera. Quando a Arlequin publicou Os Mackenzie confesso que não fiz a associação à autora, logo não li. Agora que HarperCollin publica este Ameaça entre as sombras a relação foi feita e pela boa memória que tinha desta autora, pensei logo que tinha de ser uma das minhas escolhas. E ainda bem
     O livro conta a história de Morgan e Bo. Morgan é o diretor de um grupo de paramilitares que após ter sofrido um atentado, que o leva a uma operação muito complica, vai convalescer para casa da “irmã” do seu chefe. Bo, por seu lado, é uma chefe da policia, de uma pequena aldeia e estava perfeitamente feliz com a sua vida pacata, o seu trabalho, os seus amigos, a sua cadela Tricks. Para além disso os “irmãos” têm uma relação bastante conflituosa o que não ajuda a um possível entendimento entre as personagens principais.
     Se o livro começa por parecer que se vai centrar na tentativa de descobrir quem atentou contra a vida de Morgan, a verdade é que o assunto principal é a relação entre os dois jovens e a sua coabitação, não só em casa, mas também na aldeia. Assim sendo, o livro torna-se leve, com momentos, vários, bastante divertidos protagonizados por Tricks, uma cadela super- esperta, que só lhe falta falar.
     A descrição dos conflitos entre os habitantes da aldeia, e as suas manifestações de carinho, solidariedade e apoio dão uma dinâmica à narrativa que faz com que a leitura seja fluída, onde se pode rir, sorrir ou sentir mesmo uma lágrima. Aquela terra funciona como um pequeno microcosmo com as suas ansiedades, conflitos e sonhos. A caracterização de Bo e Morgan é feita de forma direta e indireta, e assim o narrador permite-nos acompanhar as situações e os pensamentos mais íntimos destas duas personagens em relação aos mesmos. Assim o leitor acaba por saber não só o que se passa, mas também como as personagens principais sentem e analisam os acontecimentos. Ou seja, o leitor acaba por ter uma visão global da trama criada pela imaginação da autora.
     O final acaba por ser previsível, mesmo a solução da tentativa de assassinato, mas está de tal forma bem escrito que acaba por não condicionar a leitura ou torna-la menos agradável. Na verdade, este livro e a autora, continuam a conseguir construir uma história perfeitamente plausível, atraente e mesmo divertida. Posso mesmo dizer que se trata de uma boa aposta da editora, esperando que continue a publicar os livros de Linda Howard. 

Sinopse: Para Morgan Yancy, diretor de operações de um grupo paramilitar, o trabalho estava em primeiro lugar. Mas, depois de sofrer uma emboscada em que esteve prestes a morrer, o seu supervisor estava mais do que decidido a descobrir quem andava atrás dos membros do seu esquadrão de elite... e porquê. Temendo que o inimigo desconhecido voltasse a atacar, Morgan fora enviado para um lugar isolado para ficar escondido, mas vigilante. No entanto, entre a anfitriã atraente, que estava decidido a proteger, e uma ameaça mortal à espreita nas sombras, passar despercebido demonstrou ser a missão mais perigosa que já tinha enfrentado. Bo Maran, a chefe da polícia a tempo parcial da pequena aldeia montanhosa da Virgínia Ocidental, tinha conseguido finalmente construir a vida que desejava. Tinha amigos, um cão e algum dinheiro no banco. E, de repente, Morgan apareceu à sua porta. Bo não precisava de nenhum homem misterioso na sua vida, e menos ainda de um tão problemático, atraente e hermético como Morgan. Para ela já era suficiente apaziguar os habitantes de Hamrickville depois de uma disputa pessoal que tinha ocorrido. Com o passar dos dias e das semanas, era mais difícil, para Bo e Morgan, lutar contra a intensa atração e crescente intimidade, apesar de estar muito consciente de que aquele homem escondia alguma coisa. Contudo, descobrir a verdade podia custar mais a Bo do que aquilo que estava disposta a dar. E, quando o segredo de Morgan fosse descoberto, poderia custar-lhe a vida.




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tag

D - Detestaste ler

     Eu quando não gosto, não leio. Acho que já não tenho idade para fazer fretes. Mas o último que não li até ao fim foi o terceiro volume do Outlander. Achei que era mais do mesmo. Mas sei que vou ser crucificada.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Frágil de Jodi Picoult

    Opinião: Por causa do projeto Um ano com Jodi do grupo da Dora do Books & Movies andei este mês a ler Frágil da Jodi Picoult. Este era um livro, como vários outros da mesma autora, que tinha há muito tempo nas minhas estantes. Não por não gostar da Jodi, mas sim, por gostar demais. Esta autora é daquelas que nos leva por histórias difíceis e que nos faz pensar e repensar sobre esses mesmos temas.
     Este é sobre Willow uma menina com osteogénese imperfeita, conhecida como a doença dos ossos de vidro. A jovem foi diagnosticada antes de ter nascido numa segunda ecografia. Na primeira já havia a possibilidade de haver alguns problemas embora ainda nada que pudesse ser conclusivo. No entanto a mãe de Willow resolve processar por negligência pré-natal a obstetra que a acompanhou, nada mais nada menos, do que a sua melhor amiga, Piper.
     E pronto. Aqui está a história que nos leva para junto de uma família que luta por sobreviver. A juntar temos o pai policia,  que não sabe bem as posições que deve tomar e uma filha mais velha que se sente abandonada e posta de lado por quem a rodeia, inclusive a sua melhor amiga, filha de Piper.
Por seu lado Piper não entende como é possível tal lhe ter acontecido, e gere, se calhar não da melhor forma, como pode esta atitude de alguém em quem confiava sem limitações.
     Mais uma vez a história se entrecruza com outras por forma a criar um desfecho surpreendente. Jodi faz-nos pensar que o que parece ser a melhor solução, nem sempre é, e mesmo quando achamos que temos uma opinião definitiva sobre um assunto, isso não é verdade. Esta autora tem sempre esta característica faz-nos duvidar das nossas certezas, e leva-nos a repensar as nossas convicções.
     E este livro não é diferente. As personagens têm uma densidade psicológica grande, também elas contraditórias e cheias de defeitos. Tal como nós, as personagens praticam ações menos corretas, mesmo que pelos motivos certos, mantêm relações nem sempre perfeitas, mas humanas. Aquelas personagens são os nossos colegas de trabalho, os nossos vizinhos, os nossos amigos, e por isso nos fazem sorrir, nos magoam, nos surpreendem ou nos fazem chorar.

     Embora não seja o melhor livro dela é uma obra que se lê com vontade e nos apresenta um final surpreendente. Foi pois uma forma magnifica de começar este projeto que não quero de todo abandonar.

Sinopse: Willow, a linda, muito desejada e adorada filha de Charlotte O’Keefe, nasceu com osteogénese imperfeita – uma forma grave de fragilidade óssea. Se escorregar e cair pode partir as duas pernas, e passar seis meses enfiada num colete de gesso. Depois de vários anos a tratar de Willow, a família enfrenta graves problemas financeiros. É então que é sugerida a Charlotte uma solução. Ela pode processar a obstetra por negligência – por não ter diagnosticado a doença de Willow numa fase inicial da gravidez, quando ainda fosse possível abortar. A indemnização poderia assegurar o futuro de Willow. Mas isso implica que Charlotte tem de processar a sua melhor amiga. E declarar perante o tribunal que preferia que Willow não tivesse nascido...


O Tag continua

C - Citação literária preferida

Não tenho uma citação literária preferida, mas um dos inícios de que mais gosto é o das Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

     "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco. Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 


domingo, 13 de agosto de 2017

A filha do Vigário

     Opinião:Depois de ter lido algumas opiniões menos favoráveis, foi com algum receio que comecei a ler A filha do vigário de Cheryl Holt. Fi-lo, pois, trata-se de uma autora de que gosto muito e estava a apetecer-me ler um erótico.
      A verdade é que não é, de todo, o melhor livro dela. Existem dois ou três capítulos, após um início auspicioso, em que parece que a história se arrasta, mas depois acaba por avançar e a partir daí a leitura é compulsiva.
      Emma Fitzgerald é a jovem filha do vigário, cuja vida sofreu um revés após a morte do pai. Vivendo num casebre miserável, com a mãe e uma irmã mais nova, tenta convencer o rico e ilustre visconde de Wakefield, John Clayton, a não despejar os trabalhadores deste último, das casas onde estes tinham vivido toda a sua vida, apesar de agora já não conseguirem trabalhar para aumentar o lucro do senhor. E pronto. A atração é total e sem fuga possível.  Assim começa a cedência dele aos pedidos sociais dela, e a dela aos pedidos amorosos dele o que acaba por condicionar o desenvolvimento da história.
       A isto junta-se uma noiva abandonada, uma amante traída e um irmão ilegítimo com princípios morais superiores, em alguns aspetos, aos do visconde. A jovem e o visconde acabam por ter uma forte ligação sem, no entanto, nunca esquecerem as suas obrigações, quer face à posição social do rapaz, quer face à família da jovem Emma.
    As personagens mais interessantes acabam por ser os dois protagonistas, onde a dimensão psicológica é tão ou mais interessante do que a interação física. Penso, no entanto, que a autora poderia ter desenvolvido mais as personagens secundárias, como a noiva de John e o seu irmão bastardo, bem como as suas histórias, o que, na minha opinião, ficaram sem o desenvolvimento adequado o que faz com que não se compreenda o que lhes aconteceu.
       O mais interessante do livro são as cenas em que Emma e John conversam, sobre a aldeia onde se encontram e o modo de vida de quem lá mora, e as discussões onde esta o critica sem qualquer pudor. Este à vontade causa surpresa na personagem masculina habituado a ser obedecido sem que as suas ordens sofram comentários ou argumentos depreciativos ou mesmo que sejam desobedecidas.
     Quanto ao erotismo compreendo o aviso que aparece na contracapa pois as descrições das relações amorosas são bastante realistas o que pode ferir alguns leitores menos prevenidos. No entanto para quem está habituado ao erótico contemporâneo, não deixa de ser igual a muitos outros.

      É, pois, um livro do perfeitamente previsível, e cuja leitura perde por isso mesmo. No entanto, e para quem gosta deste género de livro, pode ser uma leitura fácil e agradável para umas férias de verão. Mas atenção, há melhor, bastante melhor, publicado  inclusive da própria autora.


Sinopse: Wakefield, a jovem Emma Fitzgerald vai preparada para dar luta. Pretende exigir dele um tratamento mais justo, um pouco de compaixão e decência para com os seus trabalhadores. Não contava deparar-se com ele em atos menos próprios (despido, até) com a sua amante londrina. E, embora o sangue lhe ferva nas veias, a jovem não deixa de experimentar um momentâneo e delicioso arrepio...
     O visconde não está habituado a ser repreendido. Muito menos por mulheres tão belas como Emma, pois essas costumam sucumbir rapidamente ao charme dele. E, quando o seu plano retorcido de a pôr a correr dali se vira contra ele, mais chocado fica. Agora, John está determinado a iniciar a jovem filha do vigário na arte do prazer… Ou será ela a iniciá-lo a ele na arte do amor…?



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A minha primeira Tag

A minha amiga Magda do StoneartBooks resolveu propor-me a resposta ao Alfabeto Literário. Uma resposta por post: segundas, quartas e sextas.
 As categorias são:
A - Autor preferido
B - Bebida preferida durante a leitura
C - Citação literária preferida
D - Detestaste ler
E - Estás a ler
F - Feliz por lhe teres dado uma oportunidade
G - Género literário que não lês
H - Hardcover ou paperback?
I - Internet ou livrarias físicas?
J -  Julgas um livro pela capa?
K - Kobo ou Kindle? Kindle ou livro físico?
L - Livro mais longo que já leste
M - Momento mais importante na tua vida literária
N - Número de estantes que possuis
O - Obsessão literária
P - Personagem que provavelmente terias namorado na escola
Q - Quantos livros tens por ler?
R - Ressacas literárias. Quando foi a tua última?
S - Série que começou e precisa acabar
T - Três dos teus livros preferidos de sempre
U - Último livro que leste
V - Voltarás a ler.
W - Wishlist literária. Qual o último livro que adicionou à tua wishlist?
X - X marca o lugar. Qual é o 24º livro da tua estante?
Y - Y.A. ou livros adultos
Z - Zzzz...Qual o último livro que te manteve acordada até tarde?

Vamos pois à minha primeira Tag:

A: Autor preferido
    Esta é difícil, pois não tenho apenas um autor, mas de repente posso dizer Lesley Pearse.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O Boss de Vi Keeland

       Opinião:O Boss é o primeiro livro de Vi Keeland editado em Portugal. Nas livrarias aparece como sendo um livro erótico, e, na verdade,  olhando para a capa, para a expressão que acompanha o titulo e para a contracapa tal classificação não deixa dúvidas.
       Para mim as dúvidas surgiram durante a leitura. Na verdade, o livro tem descrições de sexo explicitas, sem grandes metáforas ou dúbios sentidos, mas a parte mais importante do enredo não são essas cenas. Antes pelo contrário. Essas cenas surgem em consequência da aproximação das personagens principais e como complemento de sentimentos que se desenvolvem e levam a que se aproximem.
       O Boss, Chase Parker, é um homem excecionalmente bonito, interessante, culto, rico, dono da sua própria companhia. Nessa companhia vai trabalhar Reese que tinha acabado de se despedir do emprego anterior por ter tido um caso com o seu patrão. Embora se conheçam num restaurante, sem saberem nada um do outro, a verdade é que a jovem acaba a trabalhar na empresa de Chase e acaba por cometer os mesmos erros do passado, ou seja, envolver-se com o patrão.
       Se o livro fosse só isto e tendo em conta as descrições das suas aventuras sexuais, até se poderia dizer que o livro se enquadra na literatura erótica. Mas o livro é muito mais do que isto. Qualquer uma das personagens principais tem um passado traumático que condiciona as suas atitudes no presente. O jovem patrão, também ele tem o seu passado o que, se por um lado o faz compreender a sua nova paixão, por outro vai condicionar as suas atitudes no presente, fazendo-o tomar disposições que poderão afastar o jovem casal.
       Assim sendo o livro, na minha modesta opinião, é muito mais um drama romântico, em que o autor através de uma escrita fluída, engenhosa e com algumas partes mesmo engraçadas, pretende dar uma dimensão humana, por forma a que as personagens se tornem seres que poderiam ser os nossos amigos, ou os nossos vizinhos, apostando mais na caraterização psicológica do que na caraterização física.
        De notar que o passado da jovem, apaixonada pelo marketing e pela publicidade, é contado pela própria quer a Chase, quer aos leitores, enquanto que o passado deste jovem executivo nos é dado ao longo do livro através de capítulos que se passaram sete anos antes do tempo da história, e que vão aparecendo intercalados ao longo de toda a obra. Este aspeto é muito interessante porque prepara-nos sub-repticiamente para um desenlace dramático dos acontecimentos, que apenas são solucionados no presente.

     Concluindo, o livro é bastante interessante, pois a fluidez da narrativa, a construção das personagens e o desenvolvimento da história levam-nos a querer saber como termina este relato e assim construir, para estas figuras, a possibilidade de um presente sorridente onde tudo acaba bem. Agora resta esperar a publicação dos outros livros da serie Stand Alones.


       Sinopse: Quando o teu patrão é convencido, mas sedutor, arrogante, mas sensual, irritante, mas
irresistível, o resultado só pode ser um?... horas extra... ordinárias.

       Estás no primeiro encontro com um homem para lá de aborrecido. O que é que fazes? Finges ir à casa de banho, ligas à tua amiga e pedes-lhe que te ligue de volta, fingindo uma emergência que te tire dali, certo? Foi o que fiz. Até porque era mesmo uma emergência?
       Mas um desconhecido ouviu a conversa, chamou-me pretensiosa e teve o atrevimento de me dar conselhos! Respondi-lhe que se metesse na sua vida ? na sua vida de homem alto, musculado, lindo de morrer e irritantemente convencido ? e voltei para a minha mesa deprimente.
       De onde estava, não pude deixar de olhar para ele, acompanhado por uma loira bombástica. Típico!            
     Quando me apanhou a olhar, piscou-me o olho, levantou-se com a sua bimba e dirigiu-se à minha mesa. Pensei que fosse denunciar-me, mas, em vez disso, fingiu que nos conhecíamos, juntou-se a nós, e partilhou histórias mirabolantes sobre um passado fictício entre nós... Tenho de confessar que o meu encontro passou de chato a estranhamente excitante.
      Quando a noite acabou, não parei de pensar nele, mesmo sabendo que nunca mais o veria. Afinal, quais seriam as probabilidades de voltar a encontrá-lo numa cidade com oito milhões de pessoas? Quais seriam as probabilidades de, um mês depois, ele vir a ser o meu novo Boss?



domingo, 6 de agosto de 2017

O livro das emoções

Resultado de imagem para o livro das emoções


       Opinião:O livro das emoções de Laura Esquivel era um pequeno ensaio que estava na prateleira desde 2003. Sendo tão pequeno foi ficando, porque haveria sempre um momento para o ler. Quando me inscrevi na Maratona Literária de Verão e vi que um dos desafios era ler um livro com menos de 100 páginas nem hesitei. Era a oportunidade esperada. E foi.
       Este não é um romance, é mais um ensaio onde a autora diserta sobre as emoções, desde a sua origem, até à procura de respostas para diferentes perguntas, sem que, nalgumas delas, essas respostas existam, ou sejam dadas. No fundo é um livro que leva o leitor a pensar e a questionar a forma como sente e expressa as suas emoções.
       Laura Esquivel constrói um livro bastante interessante porque ela própria sublinha o livro (literalmente), destacando as partes que considera mais importantes, faz marcas laterias para salientar uma determinada ideia, coloca asteriscos ou setas para realçar parágrafos. Se por um lado, esta forma de escrita é original e interessante, por outro, condiciona a maneira como lemos o livro, criando um debate surdo, pois o leitor não pode discutir e contestar os seus pareceres senão consigo próprio.
       Dividido em cinco capítulos, sendo que o primeiro funciona como uma ida aos tempos primitivos e à origem da palavra emoção dando-nos uma visão sumária da evolução histórica da mesma, e os seguintes refiram os meios geradores de emoções (a palavra, a literatura, o cinema) e o último capitulo é uma espécie de conclusão, como se falar sobre emoções em tão poucas páginas pudesse esgotar o assunto.
       Sinceramente não foi um livro que, neste momento, me atraísse. A verdade é me apetece muito mais ler romance, policial, ficção pura, do que um pequeno tratado filosófico, psicológico e social sobre os estados emocionais. Mas a escrita é fluida, as ideias são interessantes e, por isso mesmo, posso afirmar que valeu a pena a tarde em que finalmente o tirei da estante para o ler.

O verão também não será a melhor época para ler um livro que implica tamanha introspeção. Seria talvez um livro bom para uma leitura partilhada, pois, assim, o diálogo entre o pensamento da escritora e o dos seus leitores poderia existir de uma forma mais profícua para estes últimos. Poderia, ainda, ser também uma boa leitura numa noite de inverno, junto da lareira, proporcionando uma discussão de amigos. De qualquer forma Como água para chocolate continua a ser o meu livro preferido de Laura Esquivel. 

SinopseVivemos num mundo que concebe o ser humano como um ser insensível, que cortou o contacto com as suas emoções. Por isso mesmo, AGORA é o momento de redescobrirmos o ESSENCIAL. O que faz pulsar o nosso coração não é a recordação do carro que comprámos ou do tempo passado em burocracias, mas a esperança de fazer tudo aquilo que ainda não fizemos: dizer às pessoas que nos rodeiam o quanto significam para nós, dar um abraço a um amigo, partilhar uma tarde de riso com os nossos filhos, contemplar uma chuva de estrelas, dar um beijo apaixonado, amar, amar, amar…
       Neste livro corajoso e poético, Laura Esquivel desafia-nos a valorizarmos as nossas emoções e sentimentos, a olharmos para o nosso íntimo e encontrarmos força para viver uma vida de verdadeira liberdade.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017




















  


 Obrigada à Gothic Clare pela nomeação para os Libster Award. Na verdade, não esperava tal referência visto que o blog acabou de nascer, mas obrigada à Daniela Rosas pela confiança demonstrada em mim e nas minhas publicações. Este blog reflete apenas as opiniões que tenho sobre os livros que leio, partilhando assim essas experiências com outros que têm o mesmo vício que eu: a leitura. 

     Segundo li este prémio pretende valorizar o trabalho feito pelos Book Bloggers. No meu caso se mais pessoas chegarem ao blog e interagirem com as suas experiências, tendo em conta que estou no início, será já uma mais valia.
     Mas o prémio tem regras a seguir. Então vamos lá:

Rules:
If you have been nominated for the Liebster Award and you choose to accept it, write a blog post about the Liebster Award in which you do the following:

·                     Thank the person who nominated you and post a link to their blog;
·                     Display the award on your blog by including it in your post and/or displaying it using a widget or gadget;
·                     Write a 150-300 word post about your favorite blog that is not your own. Explain why you like the blog and provide links;
·                     Provide 10 random facts about yourself;
·                     Nominate 5-11 blogs who have less than 200 followers that you feel deserve the award;
·                     List these rules in your blog post;
·                     Inform the people/blogs that you nominated that they have been nominated for the Liebster Award;
·                     If you have been nominated before at any time, please share the love. Many people believe the Liebster Award is similar to a chain email/letter and it shares similarities, but the underlying idea is to help promote each other's blogs
Questions from nomitare's:

1)     Qual é o teu livro favorito?
         Escolher um livro é tarefa difícil, mas este ano li gostei bastante o livro de uma autora que já não lia há anos, falo do Irmãs secretas da Jayne Ann Krentz

2)  E a tua personagem?
      Gostei imenso da Belle da Lesley Pearse

3)  Porque gostas de ler?
      Gosto de ler porque permite aprender, viajar e refletir sobre a condição humana. Acabamos por viver várias vidas.

4) Qual é o teu género literário favorito?
    Outra pergunta difícil pois não tenho um género, mas entre o romance, o policial e o thriller, serão os que mais leio.

5) Voltarias a ler aquele livro a que deste a pontuação mais baixa de sempre?
    Sim, um livro numa altura pode não nos dizer nada, mas noutra poderá tocar-nos. O problema é que há tantos novos para ler que o tempo para reler é curto.

6) Quantos livros tens na estante? (+/-)
    Sendo alguém que lê há anos tenho mais ou menos 4000 livros nas minhas estantes.

7) Preferes livros físicos ou ebooks?   
     Livros físicos. A textura, o cheio, o manuseamento fazem-me falta.

8) Qual a tua música preferida?
    O rock

9) Fazes TBR?   
     De uma forma desordenada acabo por fazer. Vou vendo o que vai saindo, o que tenho na estante e proponho-me ler numa determinada sequencia. Mas é uma TBR mental.

10) Quantos livros leste até hoje? (+/-)
      Não sei mesmo. Posso dizer que o ano passado li, mais ou menos, 90 livros e que este ano já li mais de 60.

11) Porque criaste o teu blogue?
      Porque necessitava de trocar ideias com outras pessoas que também gostassem de livros. A leitura não tem de ser solitária. Comecei por criar uma página fechada no Facebook e o blog foi a sequência lógica.

Questions for nominees:
1)Qual o livro que estás a ler?
2)Qual a personagem que odiaste e te lembras até hoje?
3)Quando lês…?
4)Qual é o teu género musical favorito?
5)Onde gostas de ler?
6)Quantos livros leste este ano? (+/-)
7)Preferes livros físicos ou ebooks?
8)Qual o tipo de música melhor para banda sonora de um livro?
9)Acompanhas canais sobre livros?
10)Filme ou livro? (+/-)
11)Porque criaste o teu blogue?


Blogue Favorito:

Não posso dizer que tenha um blogue favorito. Depende da tipologia dos livros que quero procurar para ler. Se for romance tem de ser um determinado, se for policial já terá de ser outro. Hoje em dia conheço várias pessoas que têm blogues bastante interessantes e que sigo diariamente. Posto isto é difícil escolher um por isso vou referir o primeiro blog que segui, e foi  O tempo entre os meus livros da Cristina Delgado, que hoje, quanta honra, segue o meu blog. Este blog acaba por ter um leque completo de elementos que nos permite não só saber o que vai sendo publicado, mas também as opiniões da Cris e dos seus convidados sobre os livros que leram. Assim sendo podemos ter várias perspetivas e vários pontos de interesse, conhecendo livros de várias topologias. O blog ainda nos apresenta outros blogs que são também bastante interessantes e que surgem como opções. Eu cheguei a outros bogues, por causa da lista que a Cristina apresenta no seu.




10 Random Facts:
 Para além de ler gosto muito de música, preferencialmente ao vivo.

Sou professora e gosto de pôr os meus alunos a ler.

Não sou grande fã de televisão, embora não dispense algumas séries.

Adoro viajar.

Gosto de petiscar enquanto leio.

Não me importo de emprestar livros, mas fico furiosa quando não mos devolvem.

Adoro o verão. Gelados na esplanada e bolas de berlim na praia.

Há alguns autores que me fazem correr para as portas das livrarias no dia em que saem os seus novos livros.

Adoro estar com os meus amigos

Estou a gostar imenso de escrever para o blog.





Blogues Nomeados:

Presa Nas Palavras.

The Little Angie

Anita Days

Miss Livrinhos

Thinking like a fangirl

 


Obrigada por virem espreitar. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Domina de L.S. Hilton

                Opinião: Assim que acabei o livro Maestra comecei Domina. O novo livro de L.S.Hilton era a continuação de uma história que eu queria acompanhar.
             Erro crasso. Já leio há anos suficientes para saber que quando se gostou bastante do primeiro, não se deve ler o segundo de seguida, pois as espectativas podem ficar defraudadas. E na verdade foi o que me aconteceu, embora pense que, para quem leu o primeiro livro há um ano, este vai ser um bom reencontro.
 O livro continua a história de Judith, agora Elisabeth, e da sua vontade de vencer num mundo que nem sempre, ou quase nunca, é o mais normal e o mais correto a nível moral. Logo no prólogo a personagem principal continua a matar quem se mete no seu caminho e quem tem a pretensão de tentar pôr em causa os seus desejos. Assim, e independentemente do nome que adota, continua a ser uma anti heroína servindo-se dos outros para alcançar os seus fins, não olhando a meios, para conseguir o que pretende.
Sendo uma personagem forte, inteligente, tentando interpretar os factos que desconhece, Judith manipula tudo e todos os que com ela se cruzam, mesmo nas situações que lhe são menos favoráveis. No entanto, no final do livro constatamos as fragilidades que ela apresenta e percebemos mesmo que nem sempre os seus raciocínios e as suas efabulações são as corretas. Mas esta mulher não desiste e luta, até ao fim, para conseguir o que quer que a vida lhe dê. É também neste livro que a autora nos mostra o que aconteceu no passado da personagem, que a tornou tão fria e calculista. Mesmo apresentando um comportamento tão desadequado, Judith não merecia o trauma porque teve de passar, nenhuma criança de 12 anos o merece. No entanto isso não lhe dá o direito de ser a manipuladora fria e insensível que é, nem justifica as suas atitudes.
       A escrita continua cinematográfica e coerente, embora o ritmo acabe por não apresentar diferenças em relação ao primeiro volume, que estando fresco na memória, faz com que este se torne previsível. Também neste livro a autora continua a dar-nos descrições de locais maravilhosos e luxuosos, onde a imaginação nos leva de bom grado, secundarizada pelas joias e o guarda roupa de alta costura. Neste livro a arte, nomeadamente a arte pictórica, é uma personagem importante e aprendemos bastante sobre pintores, fundamentalmente sobre Caravaggio, pintor importante do final do século XVI, início do século XVII. O que surge menos neste livro são as descrições realistas das suas aventuras amorosas. No que respeita ao erotismo é um livro muito mais leve.

       Este não é o volume final. A saga desta mulher continuará num outro livro. A forma como termina é de tal forma surpreendente que apenas espero não ter de aguardar um ano para saber qual o final de Judith. Para ser franca acho que o próximo livro dará, certamente, uma reviravolta em relação à forma como este termina, pois, uma personagem forte e empenhada na construção do seu destino, mestre na arte de se reinventar, e que domina o seu destino de uma maneira quase mágica, não merece um final como o que este volume sugere. Seria mesmo bastante inverosímil. E mais não digo.




Sinopse: Ela pensava que os seus problemas tinham chegado ao fim. Mas estão apenas a começar... Judith Rashleigh conseguiu. Tem uma vida de luxo por entre o esplendor da cidade de Veneza, e começa agora a sentir-se confortável na sua nova pele. Mas um dia é traída pelo passado. Alguém que sabe o que Judith fez quer acertar contas com ela. Vítima de chantagem, ela terá agora de descobrir o paradeiro de um quadro de valor incalculável - que talvez nem exista de verdade... Desta vez, Judith não controla a situação. Sentindo-se desorientada e sem saídas, desarmada e fragilizada, tem de enfrentar um inimigo mais poderoso e impiedoso do que ela alguma vez poderia imaginar. E se não conseguir sair desta situação, Judith poderá morrer.