domingo, 30 de julho de 2017

Maestra - o livro

                Opinião: O livro Maestra tem mais de um ano de publicação em Portugal. E há mais de um ano que está parado na minha estante. Agora, devido à publicação de Domina, segundo livro desta autora, resolvi pegar nele e finalmente lê-lo.
               Menos de vinte e quatro horas foi o necessário para que tal acontecesse. Devo referir que não li a contracapa. Isto é algo que faço com frequência, pois quero ir de mente aberta para os livros. Pelo que me recordava, e pela capa, achei que se trataria de um livro erótico. Nada contra, pois é um estilo de que gosto. Mas estava errada.
               Maestra conta a história de Judith, uma jovem ambiciosa, que trabalha de dia numa leiloeira de arte e de noite num bar, para complementar os seus vencimentos. Até aí nada de especial. Acontece que quando é despedida da “Casa” de leilões resolve partir com um cliente do bar para a Riviera francesa. E isso muda toda a sua vida e a postura perante a mesma.
    Judith não olha a meios para atingir os seus fins. Ela passa por cima de quem for, faz o que tiver de fazer, para poder sobreviver e viver como idealizou. Na verdade, e embora sendo a personagem principal do livro, acaba por ser odiada, ou pelo menos mal-amada pelos leitores.
            No entanto as reviravoltas que ela dá à sua vida e à dos outros, a forma como consegue sempre sair das situações, mesmo as mais dramáticas, aparentemente sem uma beliscadura, tornam-na numa personagem bastante interessante no que respeita à construção. Não existe uma incoerência, ou algo que ponha em causa alguém que é tão fria e calculista. Acabamos por achar que ela é uma anti heroína, que vamos progressivamente deixando de gostar, para quase desejarmos que não consiga alcançar os seus objetivos. 
                Para além do acima citado, a jovem Judith acaba por ter uma desinibição a nível sexual que faz com que tenhamos descrições bastante realistas das suas aventuras, como se de um livro erótico se tratasse. No entanto, e na minha modesta opinião tal não é verdade. Quanto a mim, a autora apenas pretende demonstrar de uma forma cabal, e sem dar azo a equívocos, a desinibição e a perversão da personagem que se manifesta permanentemente na sua vida, incluindo no aspeto sexual.
              Quanto à ação, são brilhantes as voltas e as reviravoltas. A escrita de L. S. Hilton é muito consistente e leva-nos por uma europa glamorosa, onde o dinheiro, as festas, o sexo e os negócios são fatores determinantes, condicionando os modos de vida. Para além disso quando pensamos que o destino das personagens está de alguma forma definido, a autora através da sua trama narrativa absolutamente cinematográfica, acaba por nos levar por outros caminhos onde nada é definitivo, nem mesmo o livro que, como sabemos, já tem um segundo volume.
                Concluindo, Maestra é uma obra que junta erotismo com suspense e thriller. Um livro do qual queremos ler seguramente a continuação, mas que nos mostra de forma clara que esta mulher é mestre da sua vida, regente do seu destino, compositora do seu caminho. Só que esse caminho ainda não terminou.




          Sinopse: Durante o dia, Judith Rashleigh trabalha numa prestigiada leiloeira de Londres. Ambiciona uma carreira no mundo da arte e, apesar das origens humildes, tornou-se uma mulher sofisticada. Para fazer face às despesas, aceita trabalhar durante a noite como acompanhante num dos bares da capital. Mas depressa o sonho de uma vida luxuosa se desmorona. Desesperada, acompanha um dos clientes do bar numa viagem.
              Após um acontecimento que marca o seu destino, Judith envereda por um caminho violento e tortuoso. Assistimos à ascensão de uma mulher à margem da lei e da moral, segura do seu rumo.
             Mais do que possível, será a redenção desejável?


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Enquanto acreditar em ti

               Opinião: Li este livro a pedido de uma amiga que mo emprestou. Confesso que não gosto de ler livros emprestados, mas este, não queria comprar, por puro preconceito: de repente toda a gente que aparece na televisão ou nas revistas escreve um livro…
              Mas como ela me propôs a leitura aceitei. E em boa hora. A Raquel Strada escreve bem, e o livro flui permitindo uma leitura rápida, até porque para os dias de hoje não é um livro muito grande (228 páginas). A estrutura narrativa é linear, a nível do tempo, embora tenhamos até perto do final do livro a história principal intercalada com as páginas de um diário que Teresa escreve para aí depositar os seus pensamentos mais secretos e íntimos.
               A história de Teresa é uma história, mais ou menos banal, de alguém que confia nos amigos, no seu amor, naqueles que a rodeiam e aparentemente a fazem feliz. Teresa tem uma vida estruturada, foi uma criança amada e, de certo modo, protegida. Embora a relação dos pais tenha sido conturbada, ela, enquanto criança foi protegida pelos avós, estruturas basilares do seu desenvolvimento, permanecendo a avó como elemento congregador da família. Contudo, a sua relação com os pais é bastante conturbada, sendo que Teresa não perdoa algumas atitudes dos seus progenitores até ao tempo atual. No entanto, a história presente poderia ser cor de rosa, com um amor perfeito para fechar um circulo de felicidade, mas a verdade é que a traição a envolve e destrói as suas ilusões, as suas crenças, a sua vida. Teresa tem que alterar a sua visão da vida e dos outros para poder sobreviver.
              O livro acaba por ser previsível e o final não poderia ser outro. Nesse aspeto perde alguma da tensão que poderia ter sido construída, caso a autora lhe desse uma outra estrutura e um outro desenlace.  Teresa cresce enquanto pessoa durante toda a narrativa, acabando por se mostrar uma mulher mais forte do que era espectável, mesmo pelas outras personagens que habitam o seu universo ficcional. Pena é que tema da traição, que poderia e deveria ter sido mais explorado, o seja apenas no final o que faz com que o tópico mais interessante do livro acabe por nos parecer fraco, ficando a saber a pouco.
              Não sei se o livro terá continuação, mas, tendo em conta a escrita espero que a Raquel Strada continue a dar-nos outras histórias ou nos conte mesmo o que aconteceu à Teresa após os acontecimentos finais.
Concluindo, o livro é leve, bom para ler na praia, com uma história ligeira e, ao mesmo tempo, verdadeira, pois todos nós, já nos sentimos enganados por amigos ou amores que fomos deixando no passado. Teresa não consegue deixar a sua história lá atrás e acaba por assumir um desfecho que poderá condicionar o seu futuro imaginado por nós leitores, ou pela autora num próximo volume. 
               
         Sinopse: Confrontada com o desaparecimento do namorado, Teresa Sobral entra numa espiral de perguntas sem resposta. Deixa a vida tranquila para trás e dedica-se a uma única missão: reencontrar o amor da sua vida.
Mas poderá o verdadeiro amor resistir a um jogo de sombras e mistério? Até onde podemos ir quando perdemos tudo?

             O primeiro romance de Raquel Strada é uma história feminina e intensa, em que os limites do amor e da vingança são postos à prova.
 



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ler quantos livros por ano?

Uma revista fez um artigo sobre truques para se conseguir ler 50 livros num ano. Consideram eles que esta difícil tarefa acaba por ser exequível seguindo alguns truques.
                A verdade é que estamos no final de junho e eu já li 58 livros, sendo o meu objetivo do Goodreads ler 100 até ao final do ano. Cem livros é um pouco mais do que os que li no ano passado, só li oitenta e quatro, e, por isso, este ano pretendo superar-me a mim mesma.
                Depois de ter lido o artigo cheguei à conclusão que as dicas aí dadas podem ser interessantes embora algumas delas sejam difíceis de seguir.
                Vejamos: ler depressa é uma das sugestões, enquanto que outra é eliminar distrações como televisão, net e/ou músicas. Quanto à primeira acho difícil de seguir, pois o ritmo de cada um não pode, nem deve ser alterado. Há quem leia depressa (eu) e há quem não consiga, podendo mesmo perder a concentração. Penso, pois, que o mais acertado é cada um ler no seu ritmo e desfrutar do prazer da leitura.
Quanto à segunda sugestão nem pensar. Apesar de não ver muita televisão, vejo alguma e se esta até seria fácil, abdicar da net ou da música seria impossível. Deixar de ouvir música, de ir a concertos, de manter as minhas ligações, na net, no blog seria abdicar de parte da minha vida que me dá também muito prazer. Aí os livros seriam vistos como uma amante ciumenta que nos isola do mundo e que pouco a pouco passaríamos a odiar.
                Então como é que eu faço para conseguir ler? Simples: leio em qualquer situação. Transportes públicos, eu leio; almoço sozinha, eu leio; espero pelos filhos, eu leio; espero pelo início do concerto, eu leio; espero pela consulta médica, eu leio. Basicamente eu ando sempre com um livro na mala por forma a poder ocupar todos os bocadinhos a ler. Confesso que durmo pouco e gosto muito de ler quando o silêncio impera, mas para quem não consegue, quem tem que dormir bastante, pode utilizar todas as outras situações e certamente começará a ler mais.
                Mas o importante não é o número de livros que se lê por ano, o importante é perceber porque se lê. Eu leio porque a leitura permite-me viver outras vidas, noutras épocas, noutros lugares. Ler permite-me viajar sem sair do sofá, conhecer culturas distantes geograficamente ou culturalmente, e que, de outra forma, dificilmente conheceria. Permite-me conhecer o ser humano, a sociedade e ver como esta se alterou, para o bem ou para o mal. Ler, pode ainda apenas distrair. Um bom policial, um bom thriller, um bom romance, nada mais faz do que me fazer passar um bom bocado. Isto se não quisermos entrar no aspeto mais técnico da qualidade da escrita, da construção narrativa ou na caraterização das personagens.
                Realmente para mim ler é uma atividade que me dá prazer e da qual dificilmente abdicarei. O que é um bom livro? O que me prende, o que me agarra desde as primeiras páginas, independentemente do que a critica erudita possa dizer. Mas isto sou eu a querer ler cem livros.


sábado, 22 de julho de 2017

A amiga


Opinião: Começo por dizer que Dorothy Koomson não é uma autora que considere regular (sem querer ofender ninguém). Ela tem livros dos quais sou fan, tem outros cuja leitura não consegui terminar, (mas pretendo voltar a tentar) e tem livros que ainda não li. Por isso, por não ter um conhecimento global, não sei se a culpa desta indecisão é minha se da autora. Há momentos em que não estamos preparados para ler determinada obra e depois, quando finalmente a lemos, amamos. Pode ser que seja que aconteceu com os dois livros de Dorothy que ainda não consegui acabar, tentar e amar.
A verdade, é que, em relação aos últimos livros dela tenho-os lido sem vontade de parar e a gostar tanto que tenho pena que acabem. Foi o que aconteceu com A Amiga, publicado, recentemente, pela Porto Editora.
Quando peguei no livro e li a sinopse, coisa que raramente faço, achei que o livro poderia ser centrado na Cece e nas suas tentativas de descobrir quem tinha tentado matar a Yvonne. Enganei-me. O livro acaba por ser baseado em Yvonne e na sua atitude perante a vida e perante os outros, embora seja uma personagem da qual só ouvimos a voz na última página embora várias sejam as vozes deste livro (o que eu adoro este tipo de construção narrativa).
Ficamos a saber o que se passou naquela cidade, antes da chegada de Cece através das vozes de Maxie, Anaya e Hazel, as melhores amigas de Yvonne. Esta última surge assim caracterizada através das palavras dos outros, e nunca por si mesma, ou pela Cece, que não a conhece. Muito dentro da linha de Brest (olha o elogio) Koomson constrói uma história ou melhor cinco histórias, sendo que em quatro delas, a personagem que manipula tudo o que vai acontecendo não nos conta nada, apenas temos a visão dos lesados e a forma como se sentiram usados, manipulados ou mesmo abusados.
Trata-se, pois, de um livro sobre mulheres,os homens acabam por ser personagens secundárias, sem brilho, vivendo à sombra e sob a dependência, económica ou afetiva, das suas mulheres, e da forma como o passado, queiramos ou não, vem condicionar o presente. É ainda um livro de equívocos, da mania que temos de achar que sabemos o que o outro está a pensar, sem lhe perguntarmos. Por fim, é um livro sobre amizades entre mulheres e a forma como as mesmas devem ser, ou talvez não, construídas.
A narrativa é fluida, sendo que as vozes são intercaladas, na maior parte das vezes, o que nos permite ter a noção dos jogos que Yvonne pratica para construir uma relação de poder e domínio sobre as outras mulheres.
Um elemento, para mim, importante nos livros é o titulo, que neste caso é uma tradução literal do original. E este acaba por ser um titulo que depende da visão que o leitor tem do livro. Posso mesmo dizer que comecei por achar que A amiga era uma personagem, e, depois de ter lido o livro, acho que afinal é outra.

Concluindo, adorei este livro da Doroyhy Koomson e tenho a sensação, posso estar enganada, que vamos ter uma continuação. Eu pelo menos gostaria que houvesse, pois, o fio daquela meada ainda não foi totalmente puxado, podendo a autora dar-nos a visão da história por parte de quem esteve praticamente calada, Yvonne.


Sinopse: Quando o marido é promovido, Cece Solarin muda-se para Brighton com os três filhos, animada com a possibilidade de um recomeço. No entanto, o ambiente do bairro que a acolhe parece-lhe ansioso e os vizinhos sobressaltados. 
           Cece descobre que, três semanas antes, Yvonne, uma das mães mais populares da zona, foi deixada às portas da morte, no pátio da escola dos filhos - a mesma onde se vê obrigada a inscrever os seus. 
          No primeiro dia de aulas, Cece conhece três mães muito diferentes que parecem querer ajudá-la neste novo começo. Mas Maxie, Anaya e Hazel são também amigas de Yvonne, e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime. 
          Preocupada com a segurança dos filhos, Cece está decidida a descobrir a verdade…

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Fala-me de um dia perfeito





Opinião: Fala-me de um dia perfeito foi um livro que li para o projeto BookBingo. Sempre achei que YA não era a minha onda, tirando honrosas exceções, e tinha razão. Apesar de haver opiniões diferentes, que são de respeitar, este não foi um livro que me enchesse as medidas.
Passo a explicar: o livro trata de assuntos fundamentais para os jovens, e não só,  tais como o suicídio ou a bipolaridade. Certamente que este são temas importantes, e que devemos alertar aqueles que não estam tão a par das situações que podem levar a um, ou informados sobre os medicamentos e as terapias que hoje em dia podem atenuar o outro. De referir ainda que o tema do bulling em situação escolar é aflorado podendo ter sido mais desenvolvido, inclusive como complemento das temáticas anteriores. A diferença que gera a violência aparece, mas poderia ter sido mais explorada, pois também ela é um problema das vivências dos adolescentes  que têm de ser colmatadas.
Livro escrito a duas vozes (e isso é um aspeto que eu gostei bastante) Fala-me de um dia perfeito conta a história de Finch e de Violet, dois jovens de dezassete anos, que andando no mesmo liceu, finalistas, frequentam grupos diferentes. Os dois têm traumas do passado que condicionam as suas escolhas e que, de alguma forma, os aproximam.
Ambos pensar no suicídio como hipótese de fuga e Finch é colocado perante um possível diagnóstico de bipolaridade. Acabando por se aproximar de forma intima, os jovens tentam ajudar-se a si mesmos e um ao outro, de maneira a poderem retomar as suas vidas, a sua rotina e realizar as atividades diárias sem dor. O problema prende-se com a capacidade diferenciada de o conseguir.
A construção das personagens é coerente, embora Violet seja mais ingénua que o seu jovem namorado, o que seria normal tendo em conta os antecedentes familiares. Ele é mais maduro, no entanto surge como alguém menos preparado, devido à doença(?), para gerir, contrariar e sobreviver às adversidades da vida.
A estrutura narrativa, na minha opinião, poderia ser mais bem desenvolvida, bem como alguns dos pensamentos que nos são expressos pelo casal de jovens. A última parte torna-se mais interessante pois o caminho que Violet faz, e que lhe permite recuperar a sua vida e manter a sanidade mental, complementado com as mensagens que vai tendo de Finch, esse caminho acaba por criar uma maior dinâmica ao livro.
De realçar a capa e a sua pertinência em relação à história, chamando de imediato a atenção do leitor para um aspeto que, ao longo do livro se vai tornar importante. Em relação ao título considero que, embora o nome dado na tradução para português seja pertinente, o original faz muito mais sentido pois são “All the bright places” e a deambulação pelos mesmos, que permitem a estes jovens tomarem as suas opções de vida, sejam elas as corretas ou não.
Concluindo, apesar de achar que os temas aflorados são importantes e devem ser apresentados sem tabus nem subterfúgios o livro não me entusiasmou, nem me prendeu a atenção da forma que as temáticas mereciam. No entanto não deixa de ser um livro agradável de ler.






Sinopse: Violet Markey vive para o futuro e conta os dias que faltam para acabar a escola e poder fugir da cidade onde mora e da dor que a consome pela morte da irmã. Theodore Finch é o rapaz estranho da escola, obcecado com a própria morte, em sofrimento com uma depressão profunda. Uma lição de vida comovente sobre uma rapariga que aprende a viver graças a um rapaz que quer morrer. Uma história de amor redentora. 

domingo, 16 de julho de 2017

O melhor cartaz de sempre

Perto de Lisboa uma feira do livro a não perder


Será que os silêncios são doces?





Descobri esta escritora há algum tempo e cada livro é um encanto e um encantamento.
Este é uma história de família onde os segredos mais bem guardados acabam por vir ao de cima. Porquê? Porque o filho resolve ter uma relação amorosa com a filha do presidente dos Estados Unidos, sua colega de faculdade.
Mas o livro não é sobre a história dos jovens. O livro é sobre as suas famílias, traumas e segredos. 
De repente, Hush, a mãe do jovem, tem de começar a perceber que a sua vida pacata e sossegada, pode ser posta em causa pela comunicação social, pelo presidente e pela primeira dama (que não é de todo uma figura simpática) e principalmente, por Nick elemento próximo ao casal presidencial e ex-elemento dos serviços secretos que lhe invade a casa para proteger a jovem estudante, sua afilhada.
O livro mostra-nos que as vidas cor de rosa não existem e muitas vezes são apenas capas para segredos que não se querem confessar. Este é também um livro que nos prova que, mais cedo ou mais tarde, tudo o que escondemos acaba por vir ao de cima.
Contada a duas vozes, muito eu gosto de livros assim, Hush e Nick acabam por nos pôr ao corrente dos seus passados, fazendo com que o leitor seja um espetador privilegiado, pois tem conhecimento da história toda o que não acontece com as outras personagens.
Este passado, por sua vez, condiciona as escolhas das duas personagens principais, bem como as suas relações com as personagens secundárias. De alguma forma, e em determinado momento, estas mentiras fazem com que as relações interpessoais entre as personagens se alterem completamente, criando uma narrativa bastante dinâmica.
Não percam. Romance do melhor.



Sinopse: Após a morte do marido num trágico acidente, Hush McGillen não se deixou abater. Transformou os pomares de maçãs da família num negócio de sucesso e o filho, Davis, está a estudar na conceituada Universidade de Harvard.
Contudo, este idílico paraíso cai por terra quando o filho aparece com uma companhia inesperada: a filha do Presidente dos Estados Unidos. De um momento para o outro, Hush tem de lidar com os Serviços Secretos, a comunicação social e, pior do que tudo, os novos sogros do filho - e a primeira-dama não está nada satisfeita.


              Com o agente federal Nick Jakobek, enviado pela família presidencial para resgatar a filha, a trazer ainda mais caos à sua vida, Hush vê-se perante a necessidade de fazer todos os possíveis para salvar o seu negócio, a sua reputação e a sua família - pois o seu passado não é exatamente o conto de fadas que todos julgam.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017







Crítica por Isabel de Almeida (Crítica Literária | Jornalista)

Guest Blogger Livros? Gosto





Em Pablo Escobar, o Meu Pai, decorridos mais de vinte anos sobre a morte do Capo do Cartel de Medellín, o seu filho Juan Pablo Escobar dispôs-se a narrar nesta obra biográfica que conjuga relato pessoal e investigação, muitos detalhes e acontecimentos que marcaram o percurso de vida do seu tristemente famoso pai, da Colômbia e do seu respectivo contexto político e social nos anos 80 e 90, durante os quais Pablo Escobar chegou a ser um dos homens mais ricos, poderosos e temidos do mundo devido à sua ligação ao narcotráfico e à escalada de violência associada a esta actividade criminosa.

A proximidade do narrador ao seu pai transporta o leitor para o seio de uma família que estava conotada com os negócios ilícitos de Escobar mas onde também existiam grandes e pequenos dramas, raiva e carinho, traições e lealdades, amores e ódios, e só por aqui já é expectável que fiquemos a conhecer o homem por detrás do traficante, Pablo Escobar é um poço de ambiguidades, de polos que se opõem e é percepcionada ao lermos esta obra.

O tom coloquial, as emoções que fluem da escrita e que oscilam entre carinho, medo, admiração e recriminação, amor familiar e repúdio estão naturalmente integradas neste livro, sendo assumida a subjectividade da escrita.

Pablo Escobar era um homem que, como resulta do olhar do seu filho, e como podemos deduzir de factos históricos conhecidos e de documentos reunidos nesta obra, era composto de ambiguidades. Era um homem inteligente, impulsivo, narcísico e egocêntrico, capaz de gestos nobres mas, também impiedoso para com todos os que se cruzavam no seu caminho e o contrariassem. Ironicamente, praticou actos de generosidade, ajudou os mais pobres, disponibilizou aviões para ajudar nas operações de socorro na sequência de uma erupção vulcânica e quis o impossível. Algures na sua mente criou a firme convicção firme de que era legítimo, aceitável e perfeitamente natural praticar o bem e defender causas políticas e sociais tendo como base de suporte económico os lucros do narcotráfico, e aceitando o preço da perda de vidas humanas (algumas delas inocentes).

De uma vida de opulência, com todas as excentricidades que o dinheiro pode comprar (por exemplo, um jardim zoológico com animais exóticos instalado na sua mais famosa propriedade a Fazenda Nápoles, que, curiosamente, deve o nome à nacionalidade dos pais de Al Capone, um dos seus ídolos) até chegar ao terror da incerteza permanente quanto ao local onde estaria toda a família no dia seguinte, o temer pela própria vida e pela dos seus ente queridos, todo este cenário nos desfila perante os olhos durante a leitura, sendo perceptível a tensão vivenciada pelo autor e pela família.

Podemos encontrar aqui relatos que ilustram a loucura de um homem (Pablo Escobar), mas não se fica indiferente à incoerência e corrupção bem patente em todo um sistema ao mais alto nível (político, militar, policial, segurança interna e relações externas).

No decurso da leitura parece-nos, muitas vezes, estarmos a assistir a mais uma produção televisiva ou cinematográfica sobre a família Escobar, mas, ao racionalizar, o leitor nota que, afinal, em tantos momentos e histórias surgem realidades que se revelam bem mais complexas e assustadoras do que a ficção.

O livro é também, a meu ver, um testemunho de resiliência, de sobrevivência, de reconstrução do autor e da sua família mais próxima.

Juan Pablo Escobar é um filho com uma herança muito pesada e ciente de que, após a morte do pai, o terror não só não abandonou esta família como se elevou a níveis ainda mais assustadores. O autor, a mãe - Victoria Eugenia Henao Vallejo - e a irmã Manuela conseguiram escapar a uma morte quase certa e aqui fica a ideia de que muito devem à coragem da matriarca bastante protectora, que enfrentou e negociou as suas vidas com cartéis concorrentes e com as autoridades que também levantaram obstáculos a uma nova vida que cortasse com o passado.

Também, à sua maneira, Pablo Escobar foi um pai e marido protector que demonstrou gostar da família (embora sejam famosas as suas infidelidades conjugais) e que estaria bastante consciente dos riscos que a esposa e os filhos correriam após a sua morte.

Num plano menos familiar e mais histórico e sociológico, somos confrontados com a extensa rede de ligações perigosas e obscuras que mobilizava aliados inesperados como forças de segurança Colombianas, a DEA (agência governamental Norte Americana que combate o Tráfico de Droga), a CIA (Serviços Secretos Norte Americanos) e os Pepes (Perseguidos por Pablo Escobar, um grupo que incluía paramilitares, membros de cartéis rivais, forças de segurança e familiares das vítimas do Capo do Cartel de Medellín).

O autor, a mãe e a irmã perderam até a identidade (mudaram de nome oficialmente como medida de segurança) encontraram um novo pais para viver. Juan Pablo mostra-se determinado a passar às gerações presentes e futuras uma mensagem bastante útil e pertinente num mundo que atravessa uma crise de valores: a mensagem é a de que nada há de bom e positivo no tráfico e consumo de drogas e no uso de violência aos mesmos associado, sendo o seu pai um exemplo a não seguir.

Numa atitude clara de reconciliação com a sua conturbada narrativa familiar Juan Pablo Escobar (agora Juan Sebastian Marroquín Santos) é pacifista e vem estabelecendo contactos com familiares das inúmeras vítimas do pai, pedindo perdão pelo sucedido.

Um livro revelador, escrito de forma consistente e emotiva e que desperta consciências, lembrando-nos que nada é linear, mada é apenas preto ou branco.


Ficha Técnica do Livro:


Autor: Juan Pablo Escobar

Editora: Planeta

1ª Edição: Março de 2015

3ª Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 416

Classificação: 5|5 Estrelas

Género: Biografia | Testemunho | Caso Real


Ruth Ware - "Numa floresta muito escura" | Clube do autor


           Este é um livro que tinha há mais de um ano na estante. Tirava, colocava, e acabei por não o ler.
Agora, devido à Maratona literária de verão, e à publicação de um novo livro da autora, acabei, finalmente, por o ler. E fiz bem.
Na verdade, o livro tem todos os ingredientes que me agradam. Tem suspense, vários tempos narrativos, que vão alternando até se juntarem no presente e uma sequência narrativa que nos faz querer ler o capítulo seguinte.
         Nora é uma jovem escritora que subitamente recebe um convite para ir à despedida de solteira de uma amiga de liceu, que não vê há dez anos. Nada de extraordinário, não fosse o facto da distância temporal sem se falarem, de não estar convidada para o casamento e, como tal, não saber sequer quem era o noivo.
         Ficamos também a saber que Nora e Clare, a noiva, foram melhores amigas, e que o afastamento se deveu a um problema amoroso de Nora, de tal forma importante, que esta resolve sair da cidade onde vivia, sem se despedir de ninguém. O problema é que dez anos depois a jovem escritora continua a olhar para o passado e a não esquecer os sentimentos de raiva perante o que lhe aconteceu.
         No entanto, resolve ir ao fim de semana, para ver se, dessa forma, consegue fazer as pazes com o passado. O problema é que tudo corre mal desde a chegada a uma casa escura, cheia de grandes janelas viradas para a floresta, até às pessoas, na sua maioria desconhecidas, e com comportamentos inadequados. Estas três/ quatro personagens que coabitam a casa, são, no mínimo, enigmáticas, e não sabemos, senão no final, interpretar as suas atitudes e ações.
         A partir destas premissas Ruth Ware constrói um romance psicológico, onde Nora (e a história é-nos sempre dada através da sua visão) não consegue entender o que se passa, qual o jogo que os outros jogam, ou o que pretende Clare com aquele encontro.
Podemos pensar que este é um livro sobre os problemas da amizade e das situações mal resolvidas. Não achei. Considero que se trata de um livro sobre egos e a valorização da pessoa e da sua vida sobre as outras. A amizade não tem egos, e não funciona com um ‘eu’, funciona com um ‘nós’, o que nunca surge neste livro. Todas as personagens, protagonista incluída, querem sobreviver por si, mostrar as suas competências e demostrar o que são capazes de fazer pelo outro, para que o outro reconheça nela essas mesmas aptidões. Só assim podemos entender a introdução de uma personagem como Melanie.
         No entanto é na realidade um livro sobre situações mal resolvidas e equívocos do passado. Mais, o seu esclarecimento, tanto tempo depois, é o mote para os acontecimentos mais dramáticos do livro.

Tudo isto é pouco perante o que se passa no livro, mas o suspense é a melhor forma de manter o interesse. É, pois, um livro que recomendo sem hesitações. Na verdade fiquei de tal forma agradada com esta estreia que já pondero ler o novo livro da autora, recentemente lançado.

Sesimbra, dia 20 de julho, todos vão comer a sopa


Quinta, às 16h
HORA DO CONTO
de Manuela Ribeiro
Local: Feira do Livro de Sesimbra, Praça da Califórnia

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Amei de paixão

Ontem foi assim o meu dia. Hora do almoço comprar o livro. Pós almoço espreitar o prólogo. E pronto! A tarde fez noite, a noite madrugada e só parei quando o livro chegou ao fim. A Sandra Carvalho anda a escrever de forma magistral. Logo o início nos encanta e nos leva numa história com um ritmo apropriado e uma densidade narrativa que nos faz quer saber sempre mais. A trama está urdida de uma forma impar. 
A construção das personagens está feita de forma coerente e primorosa, onde nos é recordado de forma subtil as origens de Leonor, a «fidalguinha» e no momento de se poder assumir como tal , nos é evidenciado que esta mulher já é outra, com uma escolha de vida diferente, esta é a "Açor". Lindo!
Também o Corvo cresce e sem querer desvendar demais, se transforma num homem de corpo inteiro e nome próprio (vão ler o livro e entendem).
Até as cenas onde a magia se reflete é feito com tal mestria que nos parecerem normais, como se de um conto de fadas (e atenção que os contos de fadas são mais violentos que os livros da Sandra Carvalho) se tratassem.
As cenas de amor são de uma beleza, discrição, mas ao mesmo tempo de uma sensualidade que só quem escreve muito bem consegue.
Mas vamos ao final. Este seria previsível, nem poderia ser de outro modo, onde nos são dados dados históricos complementares. Mas eis que se acrescentam três parágrafos e então o último leva-me a perguntar: Que outra história Sandra Carvalho?
Não percam esta trilogia. É do melhor escrito em português por uma grande autora portuguesa

.

Convencida

Confesso que não fui daquelas pessoas que amou "A rapariga no comboio". Pelo contrário. Por isso este foi lido como quem acha que, depois de todo o sucesso do primeiro, a senhora tinha de ter uma segunda oportunidade. Mas este novo livro da Paula Hawkins é em crescente. A primeira parte tem que se ler com muita atenção pois as personagens são muitas e para fazer a ligação temos de estar concentrados, pois pode tornar-se confuso. A segunda começa a interessar e a adensar a narrativa. A terceira é alucinante e a vontade de continuar a ler imperativa. E pronto. O mistério está resolvido. Mas existe uma quarta parte. E quando começamos a ler parece o remate, a explicação do que aconteceu no futuro próximo a todas as personagens. Do ponto de vista narrativo seria até desnecessário. E as tuas defesas perante a escrita e a história ficam mais fracas. Acabou, tudo está esclarecido. Até à última linha. E aí tudo muda. E tudo faz muito mais sentido. Meu Deus, muito bom.
Paula Hawkins estou rendida à tua escrita. Venham mais


Voltando a uma autora

Há anos que não lia nada da Jayne Ann Krentz. Acho que o livro editado antes deste é de 2004. Bom a verdade é que gosto bastante dos livros dela. Este não é exceção. As duas personagens principais são bastante fortes e ambas têm um passado que lhes condiciona o futuro. Se os traumas de Madeline são evidentes e claros, os de Jack vão-se adensando ao longo da narrativa e somos apanhados de surpresa sempre que ele esclarece algum aspeto. A narrativa está de tal forma bem construída que acabamos por criar cenários que, pelo menos os que eu imaginei, acabam por se provar errados.
Paralelamente a estas duas personagens outras duas que inicialmente poderíamos considerar secundárias, acabam por ter uma densidade psicológica e um papel na história que lhes dão algum protagonismo.
Do lado dos maus, e isto é um policial, como vem na capa, as personagens e as suas interligações estão magistralmente tecidas de tal forma que, o assassino acaba sempre por ser outro, e não aquele que somo levados a pensar.
No entanto e para quem gosta de romance tem romance q.b.
Um final brilhante e surpreendente que nos dá um duplo sentido ao título.
Espero apenas que a Quinta Essência continue a publicar Jayne Ann Krentz para nosso regalo.


domingo, 9 de julho de 2017

Pena...

Lamento dizer mas não gostei. achei morno.
A história está toda à volta dos anúncios de jornal, principalmente do que tem a cara da Zoe, que não sabia de nada em relação ao referido anúncio. Parecia um livro interessante pois a premissa da história era boa.
A verdade é que se torna entediante, repetitivo e acaba por ser difícil continuar a leitura. Confesso que só o fiz pois fui incentivada.
A história é sempre a mesma, os mesmos medos e as mesmas atitudes por parte de Zoe. Só mudam as personagens com quem interage.
O núcleo policial também é parado e mesmo a história da irmã da Kelly, que poderia ter dinâmica ao livro e a esse núcleo acaba por ficar em nada, de uma forma morna. As reuniões são muito iguais, sem vida.
As últimas 100 páginas, mais ou menos, são as melhores, mas mesmo assim apenas porque surpreende, quem é o responsável dos anúncios. Pena.



Magnata

Um novo autor. Que gostei bastante.
Uma das coisas que gosto de fazer quando acabo livros, que são séries, é pensar quais serão as personagens que virão a seguir. Neste caso fui mesmo ver a página da autora, e verifiquei que há mais três livros que espero, sinceramente, sejam publicados.
Magnata é um livro de época com um pouco de erotismo. A mistura ideal para mim. De facto nesta época vitoriana (que aqui aparece bastante bem representada) o mais importante eram as aparências. Para jovens mulheres, como a heroína deste livro, isso é bastante complicado de seguir. Na verdade, esta jovem é determinada e quer fazer a sua vida independentemente dos padrões estabelecidos.Novamente uma figura feminina além do seu tempo.
Quanto à personagem masculina, ele vem de um meio social baixo. Um homem que se fez, sofreu a intolerância, as portas fechadas,a não aceitação num determinado estrato social, o que o faz julgar todos face ao que passou. Alguém que ao longo do livro cresce enquanto homem, pois assim o obrigam as circunstâncias, se quer ficar com esta mulher forte.
Se o caso de amor é evidente, o vilão já não o será, pois existem duas hipóteses. Destas a mais lógica seria a menos atraente pois era a mais evidente. A autora de forma inteligente escolhe a outra. E, por isso mesmo, os últimos capítulos são lidos de seguida, sem parar.
Agora resta esperar pelos restantes livros da série.


Estreia

Estreia de autor. Uma leitura estranha. 
De início temos uma ideia sobre a estrutura do livro, e depois ficamos baralhados. De repente percebemos que nada do que lemos é realmente como parece e que ninguém é o que diz ser. Os últimos capítulos são avassaladores e acabam por apresentar um final inacreditável. Se gostei? Não sei A verdade é que não sei mesmo, mas tive que ler os últimos capítulos de rajada.