terça-feira, 17 de outubro de 2017

Whitney meu amor

     Opinião: Judith McNaught é uma daquelas autoras que mal sai um livro tenho de o ter na minha estante. Este também veio logo para a estante, mas por um motivo, ou por outro, acabei por não o ler. No entanto, assim que lhe peguei a leitura foi non stop.
     Mais ainda quando percebi que Whitney, meu amor tinha sido o seu primeiro livro. Este acaba por recuperar personagens de Um reino de sonho, que na verdade foi escrito posteriormente. Mas os dois livros podem ser lidos de forma autónoma e por isso não houve qualquer incompatibilidade.
     Whitney é uma jovem, órfã de mãe, que vai viver com os tios maternos para Paris a pedido do pai. Este pedido prende-se com as suas atitudes menos formais e muito pouco próprias para a época em que vive (1816). A moça é rebelde, pouco convencional acabando mesmo por manifestar atitudes escandalosas quando exterioriza sem vergonhas a sua paixão por um vizinho mais velho.
     A história continua com o crescimento de Whitney em Paris onde se transforma numa lindíssima jovem, rodeada de pretendentes e bem aceite na sociedade que frequenta. No entanto a evolução não altera alguns traços da personalidade da rapariga, o que apenas adensa a coerência da personagem.
     É em Paris que conhece Clayton, duque de Claymore que se apaixona por ela. E assim começa um romance que de monótono nada tem. As duas personagens são de tal forma fortes que o protagonismo do livro acaba por ser dividido entre os dois.
    Whitney e Clayton vão viver uma série de peripécias perfeitamente plausíveis, tendo que alterar, ou talvez não, a sua forma de pensar, os seus conflitos e as suas teimosias, por forma a criarem, se possível, uma história comum. As personagens que criam os ambientes envolventes têm também elas uma densidade psicológica que as enriquece, muitas vezes não são o que parecem, e, simultaneamente valorizam a caraterização espacial e temporal.
     Este é um romance de época onde nada está ao acaso, e mesmo as manifestações que saem dos cânones temporais são explicados e são-nos explicados os desvios, para que nada falhe na coerência da história.
     O final do livro é perfeitamente plausível, embora a resolução do conflito só se dê nos últimos capítulos, o que leva o leitor a manter a sua atenção e o seu interesse na narrativa. Sobre os duques de Claymore penso que ainda falta traduzir um livro, sobre o irmão de Clayton, o que espero a Asa faça brevemente. 

     Sinopse: Criada por um pai severo e frio, a encantadora e impetuosa Whitney não tem medo de dizer o que pensa. Por conta de seu comportamento inapropriado para uma moça da sociedade inglesa do século XIX, Whitney é forçada a mudar-se para a casa da tia em Paris, onde recebe aulas para se tornar uma mulher sofisticada. Quando retorna à Inglaterra, está mudada, mas ainda deseja conquistar o belo Paul, seu primeiro amor. Mas há alguém que parece disposto a destruir sua felicidade: trata-se de Clayton Westmoreland, um poderoso duque, que está decidido a se casar com Whitney a qualquer preço. Publicado em 1985, “Whitney, meu amor” é o primeiro romance de Judith McNaught, e foi responsável por consagrá-la como uma das escritoras mais populares dos Estados Unidos. 



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Maratona Literário Outono-Inverno

 


 Depois de ter participado na Maratona Literária de Verão, e de me ter divertido imenso, não podia deixar de participar nesta Maratona Literária Outono/Inverno promovida pelos blogs Flames e Agora que sou Critica (vão espreitar que valem muito a apena). Quem quiser participar aconselho a consulta das regras e das instruções nos blogs ou na página de Facebook correspondente.
     O que apresento hoje são alguns dos livros que pretendo ler em algumas das categorias. De referir que ainda não tenho uma TBR completa e que, mesmo os que se apresentam agora, poderão sofrer alterações em conformidade com as novidades que forem sendo lançadas durante o período temporal em que a Maratona decorre.
     Mas para já: 

10 desafios gerais:
1) Ler um livro que te faça, por algum motivo, lembrar a escola 
2) Ler um livro cuja capa tenha tons escuros – Rutura Mortal  J. D. Robb
3) Ler um livro de contos – 
4) Pedir a alguém para escolher um livro para leres – 
5) Ler um livro que tenha uma adaptação cinematográfica (ou que vai ser adaptado para o cinema) – Se possível vê o filme a seguir – A febre das tulipas de Deborah Moggah
6) Ler um livro que queiras acabar antes de 2017 terminar – As sete irmãs II de Lucinda Riley
7) Ler um livro que tenhas há mais de 1 ano na estante – 
8) Ler uma Graphic Novel, Banda Desenhada, Mangá  - Astérix e a Transitália de Jean-Yves Ferri  
9) Ler um livro escrito por alguém que admires (ou sobre alguém que admires) 
10) Ler um livro de não-ficção – 

5 desafios relacionados com o Haloween 
1) Ler um livro de horror/terror – 
2) Ler um policial – 
3) Ler um livro cujo tamanho te assuste (por exemplo, um livro enorme) 22.11.63 Stephan King
4) Ler um livro cujo título esteja escrito a vermelho – Vidas finais de Riley Sager
5) Ler um livro cujo nome do autor seja difícil de pronunciar –

5 desafios relacionados com o Natal 
1) O Natal é uma época bonita, onde o conforto é procurado especialmente devido ao frio que se sente lá fora. Lê um livro que achas que te possa trazer conforto – Chá e corações partidos Trisha Ashley
2) Ler um livro que te ofereceram num Natal ou que gostarias que te tivessem oferecido – O barão de Joanna Shupe
3) Ler um livro que te faça lembrar a família. – 
4) Ler um livro com a cor branca na capa - 
5) Ler um livro com menos de 100 páginas – Gostas de mim porquê? De Sónia Correia


     Portanto já sabem: de 15 de outubro a 15 de janeiro vou dando novidades.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A mulher do juiz de Ann O'Loughlin

    Opinião:  Ann O’Loughlin é uma escritora que a Asa apresenta com este livro A mulher do juiz. Sabendo que o livro estava proposto para o prémio Romantic Novelists’ Association Awards deste ano na categoria de romance épico achei que tinha de o ler. E ainda bem que o fiz.
    O livro conta a história de Grace, mulher do juiz, cuja vida acaba por se desenrolar de forma trágica devido à intervenção de uma tia maléfica, que a tinha criado, após a morte dos pais. Contado a partir de três locais diferentes e dois tempos distintos, o romance vai-nos dando em simultâneo a história do passado de Grace, do presente de Emma (sua filha) e do presente de Vikram, o médico indiano por quem Grace se terá apaixonado, no passado.
     O livro começa na atualidade com Emma que acaba de perder o seu pai, o juiz. Emma está de regressar à casa de família, de onde se tinha ausentado para casar e para se libertar da opressão aí vivida. Neste momento, a jovem vai, ao tomar posse da casa de família, descobrir segredos que a vão levar ao passado de sua mãe, para ela, morta a quando do seu nascimento.
Se o ponto de partida é quase corriqueiro a forma como a autora dá voltas e reviravoltas à história, faz-nos ficar presos a ela sem queremos parar a leitura para, assim, sabermos o que realmente se passou.
     No que respeita às personagens a sua construção e descrição está muitíssimo bem-feita. Havendo personagens de Dublin e indianas as diferenças culturais são visíveis através da forma como elas interagem e da forma como analisam as situações, que, em muitos instantes, são as mesmas. Os espaços sociais também estão bastante bem-apresentados e passando-se em tempos diferentes (1954, 1960, 1984), também as alterações sociais ficam bem patentes, inclusive no comportamento das personagens, que evoluíram ao longo do tempo.
     Quanto a mim o livro só peca no final. Embora tenha alguns aspetos surpreendentes, apesar de que na essência é previsível, torna-se algo confuso, pois é tudo decido de forma muito rápida, o que não era necessário num livro que não é muito grande (299 páginas). De qualquer forma é um livro muito bom de ler e daqueles cuja autora irei seguir em próxima publicações. 



     Sinopse: Recém-chegada a Dublin após a morte do pai, um juiz duro e distante que nunca a acarinhou, Emma tem agora pela frente a tarefa de organizar os seus pertences e encerrar esse capítulo da sua vida. Está longe de imaginar que, entre livros e documentos poeirentos, vai encontrar o diário de Grace, a mãe que nunca conheceu. Ávida por informações sobre a mulher cuja ausência a marcou desde a infância, Emma vai juntando as peças da sua vida secreta: um amor proibido com um médico indiano; um terrível escândalo, abafado com a conivência de uma tia-avó; diversas vidas destroçadas por uma simples assinatura num papel... A pouco e pouco, a jovem descobre uma história que abarca várias décadas e continentes, desenterra segredos e - com alguma sorte - poderá ainda alterar o rumo da sua própria vida.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A mulher do meu marido

     Opinião: Hoje vou falar de um livro que não terminei. Acho, para quem me conhece, e para quem segue ou visualiza o blog nestes seus quatro meses de existência (agradeço deste já todo o vosso apoio) que é a primeira vez que o faço. Mas também não é normal eu não terminar um livro de 474 páginas quando me faltam mais ou menos 100 para terminar.
     A verdade é que não consigo acabar. Fui com muito entusiasmo para este livro, cheguei mesmo a falar dele, antes de o ler, a várias pessoas de forma entusiasmada e depois, nada. Lamento, mas não consigo sequer sentir entusiasmo para o terminar.
     A história centra-se em Lily, advogada, casada com Ed, um pintor, sem sucesso. Ela, logo no seu primeiro caso importante, acaba por libertar o seu cliente culpado, o que embora a choque, não diminua a atração física sentida. Ao lado do casal mora, com a sua filha Carla, uma jovem mãe solteira grega, envolvida com o advogado colega de Lily.
     E assim se mantem. Mais não surge. O livro depois dá um salto temporal, em que as personagens acabam por ter caminhos distintos até se reunirem outra vez por vontade de Carla. E assim continua. Lily vive angustiada com o seu segredo em relação ao primeiro caso, Carla quer vingar a forma como a mãe teve de viver a sua vida e Ed apenas quer ser famoso, considerando que a jovem vizinha é a sua musa da sorte, pois a notoriedade alcançada deve-se a um retrato da mesma. E nada mais acontece do que as angústias internas das personagens. A ação resume-se ao dia a dia das mesmas que acaba por ser bastante repetitivo, e às reflecções internas o que se torna ainda mais aborrecido.
Uma sinopse bastante convidativa, uma construção literária, com dois narradores, que me agrada bastante, mas a verdade é que com tantas solicitações, tantos livros a sair que me atraem, continuar com a sensação que estou a ler o mesmo com outras palavras, neste momento, não me atrai minimamente.

     Não ponho de parte a ideia de voltar a ele mais tarde. Às vezes os livros e as nossas leituras dependem dos nossos estados de espirito, mas neste momento vou parar. Lamento mesmo, pois o entusiasmo era verdadeiro e espero ler outras opiniões contrárias, pois essas, poderão levar-me a acabar o livro. A ver vamos. 

     Sinopse: E SE A SUA VIDA FOI CONSTRUÍDA SOBRE UMA MENTIRA?
     Lily é advogada e, quando casa com Ed, está decidida a recomeçar do zero. A deixar para trás os segredos do passado.
    Mas quando aceita o seu primeiro caso criminal, começa a sentir-se estranhamente atraída pelo cliente.   
     Um homem acusado de assassínio. Um homem pelo qual estará em breve disposta a arriscar tudo.
     Mas será ele inocente?
     E quem é ela para julgar?
     Mas Lily não é a única a ter segredos. A sua pequena vizinha Carla só tem nove anos, mas já percebeu que os segredos são coisas poderosas, para obter o que deseja.
     Quando Lily encontra Carla à sua porta dezasseis anos depois, uma cadeia de acontecimentos é posta em marcha e só pode acabar de uma forma... a pior que Lily podia imaginar.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A mulher do camarote 10 de Ruth Ware

     Opinião: Depois de ter lido o Numa floresta muito escura da Ruth Ware e de ter gostado bastante, não poderia deixar de ler este A mulher do camarote 10. Mas a verdade é que este livro foi completamente diferente do anterior.
     Enquanto o primeiro era um livro escuro, este é um livro claustrofóbico onde parece que nos falta a respiração. Os espaços são exíguos e a ideia de que se está em alto mar, sem costa à vista, leva-nos a ter a sensação de que nada nos pode salvar ou travar quem nos queira fazer mal.
     A história centra-se em Jude, uma jornalista que vai fazer a reportagem de inauguração de um novo barco, um iate mais pequeno do que os normais. Opção? Sim claro, a ideia de tornar o espaço marítimo mais intimo, para casamentos, festas de anos, lua de mel, etc.
     O que acontece é que Jude, a narradora em primeira pessoa, acha que ouviu um corpo a cair ao mar, embora não falte ninguém a bordo, nem convidados, nem tripulação. Então o que será que ela ouviu? Nada? Mas a verdade é que a ameaçam para que pare de procurar. Se não aconteceu nada, qual o problema de ela procurar?
     A partir daqui quase que o livro se torna ‘esquizofrénico’ pois tudo nos passa a parecer irreal, incluindo o que nos é narrado por Jude. A autora constrói como que um jogo de espelho, onde o que aparece refletido não é, de todo, os factos a que estamos a assistir. Antes pelo contrário, a partir de determinado momento tenta-se que o próprio leitor ponha em causa o que é contado e o tempo no qual a narração se dá. Assim sendo podemos dizer que a construção narrativa é brilhante, pois nada é incoerente, mas ao mesmo tempo nada parece real.
     Mais uma vez Ruth Ware constrói um mundo à parte, tal como no primeiro livro, levando-nos a duvidar das nossas perceções e do fio condutor que ela nos dá.

     Brilhante e estranho ao mesmo tempo. A verdade é que não deixa de ser surpreendente e, como tal, podemos dizer que deixar de ler não é condição que se ponha. Acho, no entanto, que a leitura do primeiro livro permite perceber melhor o universo narrativo deste A mulher do camarote 10. Uma leitura que não sendo leve, nem de verão é imprescindível para quem gosta de thrillers. A não perder.


Sinopse: Uma jornalista faz a cobertura da viagem inaugural de um cruzeiro de luxo. O que parecia uma grande oportunidade profissional revela-se um pesadelo quando ela testemunha um possível crime no camarote ao lado do seu. Porém, para sua surpresa, todos os passageiros continuam a bordo. Não falta ninguém e ninguém pode sair do navio…




domingo, 1 de outubro de 2017

Maratona Literária de Verão 2017

Maratona Literária de Verão 2017

Resolvi participar nesta maratona e apesar de não ter feito todas as categorias gostei bastante principalmente a partilha, ver o que outros escolhiam para a mesma categoria. Como o objetivo era ler o maior número de páginas conseguir ler 5599 páginas.
Obrigada a quem organizou e nos proporcionou este espaço de partilha. 

Desafio 2 – Livro de um autor português – 416 páginas
Desafio 3 – Livro comprado há mais de um ano – 498 páginas
Desafio 5 – Livro publicado em 2017 – 416 páginas
Desafio 6- Livro de um autor de estreia – 264 páginas
Desafio 7 – Livro recomendado – 296 páginas
Desafio 8 – Livro com um título curto – 496 páginas
Desafio 9 – Livro de Banda desenhada – 48 páginas
Desafio 10 – Livro com menos de 100 páginas – 96 páginas
Desafio 11 – Livro com mais do que um autor – 384 páginas
Desafio 16- Um livro passado num país que queres visitar – 648 páginas
Desafio 17 – Livro que não lemos em 2016 – 323 páginas
Desafio 18 – Livro cujo título tem 15 letras – 37 2
Desafio 19 – Livro passado num país europeu -464 páginas
Desafio 22 – Um livro lido num só dia – 228 páginas
Desafio 23 – Livro com mais de 500 páginas – 650 páginas





























































































































quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A mulher secreta

     Opinião: Mais um thriller, mas romântico. Desta feita de uma autora desconhecida. Na verdade, trata-se de uma dupla, que, embora já tivesse escrito em conjunto livros de outros géneros, este é o seu primeiro thriller romântico.
     Confesso que, coisa não muito usual em mim, foi através da sinopse que nasceu o meu interesse pelo livro. Será que Helene é Helene? Será que é Louise a fazer de Helene? E se não é o que aconteceu a Louise? Foram estas as interrogações que me assaltaram ao ver a contracapa e ao iniciar a leitura do livro.
     E tudo foi respondido. A seu tempo. Com nuances que conseguem levar o leitor a imaginar uma história, quando na verdade nada é o que parece.
     As personagens estão bem construídas, sendo que a amnésia de Helene lhe levanta dúvidas sobre o seu passado e, ao leitor, questiona-o sobre o que julga saber. A figura masculina, Joachim, com quem Louise vive antes de saber que é Helene, é uma personagem forte, coerente com os seus sentimentos e fundamental para o desenvolvimento e esclarecimento da trama.
     Na verdade, o livro acaba por ser contado por um narrador que acompanha, alternadamente, as duas personagens nas suas tentativas de descobrir o passado da jovem mãe, o que a levou a abandonar os filhos e, fundamentalmente, o que a traumatizou ao ponto de não se conseguir lembrar  do que lhe aconteceu.
     Com uma escrita correta e simples de acompanhar, os autores vão acabando os capítulos com uma tensão tal que o leitor é incapaz de não continuar a leitura e, algumas vezes, dá vontade de saltar o capitulo da outra personagem, só para saber o que aconteceu a seguir. Não sendo um ritmo alucinante, como noutros livros do género, é suficientemente interessante para querermos continuar a leitura sem paragens.
    O final, que ultimamente tem sido o ponto fraco de alguns livros, embora previsível, é bastante interessante pois tem a ver com as reflexões das personagens sobre o futuro e aquilo que lhes poderá acontecer. Este no fundo é uma narrativa aberta, pois sabemos o que aconteceu no passado, mas ficamos com dúvidas sobre o casal que se junta novamente na sua ilha paradisíaca.
Thriller? Sim, sem dúvida. Thriller romântico? Aí fiquei na dúvida, embora toda a procura de Joachim seja motivada pelo amor que ele tem por aquela mulher, independentemente de como ela se chama, pela vontade de não a perder e fundamentalmente a necessidade que tem de saber que ela está bem, sem sofrimento, feliz. O amor impera, mas não é o fundamental do livro, na minha modesta opinião.
     Dupla a seguir, sem dúvida e uma belíssima aposta da Asa. 


    Sinopse: Louise tem tudo para ser feliz. Gere um café que adora numa ilha dinamarquesa, onde mora com o namorado, Joachim. E Louise é, de facto, feliz. Até ao dia em que um homem entra no café e vira a sua vida do avesso. Trata-se de Edmund, que jura que Louise se chama, na verdade, Helene, e é a sua mulher, desaparecida há três anos. E tem provas…
     Depressa se torna evidente que Louise não é quem julga ser. É, sim, Helene Söderberg, herdeira de uma vasta fortuna, proprietária de uma grande empresa, mãe de dois filhos pequenos e casada com um marido dedicado. Mas há perguntas que permanecem sem resposta. Porque é que ela não se lembra de nada? Quais são os seus planos para o futuro quando desconhece por completo o passado?
     Conseguirá recuperar o amor dos seus filhos? E os sonhos que partilhou com Joachim?
Obrigada a retomar a sua vida misteriosamente interrompida, Helene é posta à prova de uma maneira tão brutal quanto comovente. Mas no seu coração continua a existir um lugar especial para Louise, a mulher que, por momentos, viveu a vida dos seus sonhos.
      Um thriller romântico intenso e visceral sobre traição, ganância, laços de família… e um amor avassalador.
 




terça-feira, 26 de setembro de 2017

Book Bingo - Leituras ao Sol

Agora que acabou aqui fica o que consegui na minha primeira maratona. Foi por pouco mas gostei tanto que espero pela próxima.



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O jardim das borboletas de Dot Hutchison

     Crítica: Fui para este livro às escuras, ou seja, sem saber nada sobre o mesmo. O que me surpreendeu e levou a comprá-lo foi a capa e o seu subtítulo Nunca a beleza foi tão assustadora. E é verdade.
     O jardim das borboletas, supostamente um lugar maravilhoso e agradável ao olhar, nada tem de bonito. Trata-se de um jardim privativo onde o Jardineiro, assim apelidado pelas suas meninas, cuida das jovens raparigas (as borboletas) que rapta na rua, tatuando-lhes nas costas, borboletas de várias espécies, pretendendo que esta seja adequada à rapariga que a usa e mudando-lhes o nome para que esqueçam quem foram e a vida que tiveram fora daquele jardim. As raparigas não podem fugir, nem mesmo ter qualquer contacto com o Exterior. Quando a história começa (o livro está divido em três partes que corresponderão a três dias) já o FBI conseguiu descobrir o jardim e o agente Hanoverian acaba por interrogar Maya para conseguir perceber o que terá acontecido àquelas raparigas, naquele sítio.
     E é ela, através da sua narrativa, que nos leva a uma história macabra, onde por vezes nos falta o ar, nos sentimos chocadas, mas mesmo assim com vontade de acabar o livro para nos certificarmos que será feita a pouca justiça possível, pois aquelas jovens mereciam muito mais do que uma sentença de prisão, para aqueles que as violentaram.
     A história acaba por se entrecruzar com a vida de Maya, mesmo antes do seu rapto, e temos ainda acesso a tudo o que lhe acontece, e às suas amigas, dentro daquele espaço aparentemente tão bonito e pacifico. A personagem principal que, aparentemente, é uma vitima dos acontecimentos, acaba por, a partir de determinado momento, poder ser alguém conivente com os agressores, o que tornar a história ainda mais densa. Apesar de ser uma história de ficção, é, no entanto, plausível de poder acontecer, o que ainda choca mais para quem lê.
  Estando escrita de uma forma brilhante, questionamo-nos permanentemente face aos acontecimentos e, ao mesmo tempo, acreditamos na narrativa que se constrói perante os nossos olhos. Simultaneamente, e durante toda a leitura, os nossos sentidos, as nossas sensações e os nossos sentimentos estão permanentemente alerta, sem conseguirmos deixar de nos inquietarmos com os acontecimentos lúgubres que nos são apresentados.
     Peca o final, que se torna demasiado leve para um livro desta dimensão psicológica. No entanto espero que a autora escreva outros livros e que a Suma das Letras continue a publicá-los pois é uma escrita cativante, inteligente e, apesar de tudo sedutora. Para além de tudo este é um livro que merece uma boa adaptação cinematográfica. 


  Sinopse: Perto de uma mansão isolada, encontra-se um jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e... uma coleção de preciosas borboletas.
   Jovens mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem comesses belos insectos.
Quando o jardim é descoberto pela Polícia, Maya, uma das vítimas, ainda se encontra em choque e o seu relato está cheio de fragmentos de episódios arrepiantes, no limite da credibilidade.
    O que esconderão as suas meias palavras?
 



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Millennium 5 - O homem que perseguia a sua sombra

    Opinião:Lisbeth Salander já é uma figura clássica da literatura mundial. Uma mulher determinada, agressiva, mas que, para o leitor, acaba por ser um Robin dos Bosques dos tempos modernos. Ela só agride os que merecem, os bandidos, ou então para se proteger, ou defender alguém que ela considere merecedor da sua atenção.
      A saga Millennium de Stieg Larsson, na qual é a personagem principal, foi um fenómeno mundial, a ponto de trazer para o sul da Europa, ou melhor, a ponto de me apresentar os autores nórdicos de thrillers e policiais. Li os três volumes de seguida, e fiquei fã incondicional da série e das personagens principais, Lisbeth e Mikael.
      Quando Larsson morreu temi que a história de Lisbeth, que ele tinha programado para mais volumes, ficasse na gaveta. No entanto, em 2013, David Lagercrantz aceitou o desafio de dar continuidade à saga e fê-lo de forma bastante interessante. No volume 4 de Millennium respeita-se o ambiente e as caraterísticas das personagens o que faz com que o livro nos continue a encher a alma e nos tire as saudades de todo aquele universo.
        É por isso que fiquei um pouco desapontada com este quinto volume O homem que perseguia a sua sombra. Explicando: o livro está bem escrito, a história começa onde o volume anterior terminou, permitindo de uma forma discreta recordar o que tinha acontecido anteriormente. O enredo é coerente, fazendo sentido todo o desenvolvimento das diversas situações, mas as personagens estão diferentes. Se Mikael Blomkvist, jornalista na revista Millennium, continua a perseguir as histórias e a desenvolver as suas teorias da conspiração, de forma entusiasmante e pouco ortodoxa, Lisbeth surge muito mais calma, menos agressiva, menos impulsiva e muito mais cerebral. Não deixa de ter as suas guerras, os seus conflitos, mas pensa sempre três vezes antes de atuar, caindo mesmo numa armadilha que poderá ser considerada pouco plausível, tendo em conta o passado da jovem, mas que é aceitável acontecer com esta nova personagem.
       Acaba, pois, por ser um livro menos Larsson, mais calmo e mais fácil de ler. Mas para quem se apaixonou como eu, pelos três volumes avassaladores, duros e de acontecimentos sequenciais, como se não houvesse tempo para respirar, como foram os anteriores, este acaba por ser    um pouco frustrante. Esperava mais ação, mais luta, mais conflito. No entanto vou continuar a esperar pelo próximo, pois não desisto desta anti heroína do seculo XXI assim tão facilmente.


Sinopse: Lisbeth Salander cumpre uma curta pena no estabelecimento prisional feminino de Flodberga e faz o possível por evitar qualquer conflito com as outras reclusas, mas ao proteger uma jovem do Bangladesh que ocupa a cela vizinha, é imediatamente desafiada por Benito, a reclusa que domina o bloco B. Holger Palmgren, o antigo tutor de Lisbeth, visita-a para lhe dizer que recebeu documentos que contêm informações sobre os abusos de que ela foi vítima em criança. Lisbeth pede ajuda a Mikael Blomvkist e juntos iniciam uma investigação que pode trazer à luz do dia uma das experiências mais terríveis implementadas na Suécia no século XX. Os indícios conduzem-nos a Leo Mannheimer, sócio da corretora de valores Alfred Ó¦gren, com quem Lisbeth tem em comum muito mais do que algum deles podia pensar. 
     Em O Homem Que Perseguia a Sua Sombra, o quinto volume da série Millennium, David Lagercrantz construiu uma história emocionante sobre abuso de autoridade, e também sobre as sombras da infância de Lisbeth que ainda a perseguem.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Private Paris

     Opinião: Private Paris é o último livro publica pela TopSeller em Portugal, do célebre James Patterson. Não vou discutir a qualidade deste autor que escreve a quatro mãos (há noticias que estará a escrever um livro com Obama sobre o desaparecimento de um presidente), pois a verdade é que as suas histórias cumprem o objetivo principal da sua escrita, distrair.
     Este volume traz-nos Jack, diretor da Private, a Paris para ver como estavam a correr os negócios naquela sucursal. Pensando que estava de partida Jack fica retido por causa de dois casos. O primeiro foi-lhe encomendado por um cliente anterior, um ótimo cliente a nível monetário, que lhe pede ajuda por causa da sua neta que se encontra em perigo na cidade luz. O outro é um pedido de ajuda da própria policia francesa pois andam a aparecer mortos vários nomes grandes da cultura francesa. Ao mesmo tempo surge por toda a cidade um graffito cuja simbologia tem de ser desvendada, pois só assim se poderá compreender o objetivo deste grupo terrorista.
     E assim se constrói a história. Tudo parece ser, mas na realidade não é, tudo se passa de uma forma lógica, ou talvez não, tudo fica resolvido ou se calhar é melhor olhar outra vez. A verdade é que os bandidos, traficantes, assassinos e terroristas não dão descanso a Jack e às suas equipas, quer em Paris, quer na América.
     Como sempre os capítulos não são muito grandes, mas a forma como terminam é magistral, pois dá-nos vontade de ler sem paragens. O ritmo é alucinante e a escrita fluida.
   Como pano de fundo Paris. No entanto, e contra o que era espectável, não temos apenas a cidade glamorosa da Paris turística, mas também a cidade dos bairros sociais onde as desigualdades e as descriminações culturais, raciais e religiosas se manifestam de uma forma mais acentuada.
     Sem ser um livro que nos traga uma grande novidade Private Paris, é uma boa opção para quem quer ler um livro de ação e não quer algo com um enredo muito complexo. No entanto é um bom livro, estando os leitores já a aguardar o próximo que se irá passar, se a TopSeller os editar por ordem, e se o final deste não nos enganar, no Rio de Janeiro


     Sinopse: Quando os ricos e poderosos estão em apuros não é para a polícia que ligam...
     Alguém anda a pintar um misterioso graffito nas paredes e muros de Paris. Quando este começa também a surgir ao lado dos corpos de várias figuras ilustres da cultura francesa, assassinados e expostos como que a pedir que a polícia os encontre, Jack Morgan e a Private são chamados a intervir.
     Kim Kopchinski, neta de um dos mais antigos e estimados clientes de Jack, está em sarilhos. Ligou a pedir ajuda ao avô e o telefonema foi feito a partir de um dos bairros sociais mais perigosos da capital francesa. 
     Estes dois casos levarão a equipa da Private a todos os cantos da cidade luz, desde os ambientes luxuosos das altas esferas da cultura, aos mais sórdidos recantos do Bosque Bondy, enfrentando traficantes de droga, terroristas, e assassinos dispostos a tudo para conseguirem o que pretendem. 





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Inês de Maria João Fialho Gouveia

     Opinião: Depois de ter assistido a uma sessão de autógrafos da autora Maria João Fialho Gouveia resolvi pegar no seu romance Inês. Não conhecia a sua escrita ficcional pois apenas tinha lido a biografia sobre o seu pai. De qualquer forma um livro sobre o amor de Pedro e de Inês tinha de ler, depois de ter lido quase todos os que foram publicados em Portugal.
     Nesta obra acompanhamos a vida de Inês desde a sua infância em casa de uma prima de seu pai, viúva de um meio irmão de D. Afonso IV, até ao final dos seus dias. Inês acaba por abandonar a casa a que chama lar, para vir para Portugal acompanhando D. Constança, noiva de D. Pedro, príncipe herdeiro de Portugal. De referir que Inês de Castro já era aia da jovem Constança anos antes de se deslocarem para o reino vizinho.
     Esta é uma história bastante conhecida. escrita e reescrita, o que poderia tornar o livro repetitivo, sem surpresas ou mesmo entediante. Mas não foi. A investigação feita pela autora leva-nos a um tempo e a uma história com alterações ao que é usualmente contado.
     Inês e Pedro são-nos, aqui, apresentados como duas personagens além do seu tempo, onde o amor impera sobre a politica e a guerra. Na verdade, penso que neste livro a grande novidade é a imagem que nos é dada do príncipe herdeiro. Enquanto que em outras obras se explora a imagem sanguinária do rei, neste é-nos justificado as suas atitudes, e as suas ações. Pedro não é mais do que uma figura dúbia da nossa história pois para uns é o Cru, enquanto que para outros se trata do Justiceiro.
     Também Inês aparece como uma jovem apaixonada, mas ciente da complexidade da sua posição perante a corte portuguesa. Ela sabe que os portugueses a temem, temem a sua família e as relações que esta última mantém com o príncipe herdeiro, bem como o ascendente que o amor, supostamente, lhe daria sobre D. Pedro. Mais, existe um pormenor na sua vida, ainda na infância, que influência negativamente a sua imagem perante D. Afonso IV. E essa particularidade faz toda a diferença.
     Para além disso está muito bem escrito, com uma narrativa fluida em que o rigor da época histórica acaba por interagir com a destreza de um narrador que desenvolve a ação de uma forma soberba, que prende o leitor do primeiro capitulo à ultima página.
     Trata-se, pois, de uma leitura que recomendo sem hesitações enquanto aguardo o lançamento de Maria da Fonte, A rainha do povo, a sair em novembro.


     Sinopse: Esta é a história de Inês de Castro, a bela aia galega que arrebatou o coração do príncipe D. Pedro, futuro rei de Portugal. Bisneta ilegítima do rei D. Sancho IV de Castela, chegara a Portugal no séquito de Dona Constança, futura mulher do príncipe, que viu o coração do noivo incendiado pela sua própria dama de companhia. Perdidamente apaixonado, o casal viveu um amor proibido, até que, após a morte de Dona Constança, passou a partilhar o mesmo tecto. 

     Dando largas à paixão que por tanto tempo haviam escondido, Pedro e Inês viveram dias idílicos, de paço em paço, até se instalarem em Coimbra, já casados e com três filhos. 
     Esta ligação desagradou ao rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro. As intrigas políticas com que os conselheiros reais o sobressaltavam, alegando que os irmãos de Inês alimentavam pretensões à coroa portuguesa, contribuíram para que o rei não descansasse enquanto não libertasse, da forma mais trágica e terrível, o filho da influência da bela galega.





domingo, 10 de setembro de 2017

Assim nasceu Portugal de Domingos Amaral

     Opinião: Este terceiro livro da trilogia Assim nasceu Portugal termina com a entrada de D. Afonso Henriques em Lisboa depois da sua vitória sobre os mouros que, até então, dominavam a cidade.  Todos sabemos da importância histórica deste facto na construção da autoridade e da legitimação da imagem do nosso primeiro rei face a quem não queria reconhecer Portugal como um reino autónomo: seu primo rei de Leão e o Papa Alexandre III. Se o Tratado de Zamora é de 1143, a bula papal só chega em 1179, anos depois da conquista da cidade em 1147. Mas isto são factos históricos que todos nós sabemos ou devíamos saber.
     No entanto, neste livro, Domingos Amaral faz mais do que nos dar uma visão da nossa história. Este livro não é sobre reis, ou sobre um rei. Este livro é sobre homens e mulheres que viveram tempos conturbados, onde o poder se podia contar em território conquistado.
   Mas Domingos faz mais. Domingos Amaral, através do seu narrador, Lourenço Viegas, filho primogénito de Egas Moniz, e amigo de D Afonso Henriques, dá-nos a imagem de um homem que quer honrar os seus ideais, as suas crenças e o seu progenitor o Conde D. Henrique. Neste livro o nosso primeiro rei não é um herói. É um homem, com convicções e contradições, amores e desamores, amigos e interesses e que conquista, mas também falha. Afonso Henriques aparece como alguém que vive num tempo difícil, tentando fazer de um pequeno condado o seu país, o nosso país, sem nunca esconder do leitor os seus sentimentos.
     Os conquistadores de Lisboa, assim se chama este terceiro volume, é um livro ilustrativo de um tempo em que as personagens são homens e mulheres com os mesmos sentimentos que nós e com as dificuldades inerentes ao seu tempo. Estes homens e estas mulheres vivem com as intrigas, as glórias e as derrotas e, mesmo quando aparentemente tudo pode desmoronar, tentam manter a sua fé na vida, nos seus amigos e em si próprios. Determinados conseguiram superar as fraquezas e tornar este pedaço à beira mar plantado num reino autónomo por direito próprio.
     Muito bem escrito, com uma investigação histórica apurada, o autor cria uma sociedade à época não esquecendo nunca que se tratava de seres humanos. Importante de referir o papel das mulheres neste livro. Num tempo em que aparentemente estas tinham um ligar secundário face aos homens, aqui, Mafalda, Chamoa e Zaida são peças tão importantes neste tabuleiro que, algumas vezes acabam por condicionar as opções do rei e daqueles com quem convivem mais ou menos de forma intima. Continuo a achar que a construção destas personagens e dos seus movimentos e atitudes são feitas de forma brilhante, dando a dimensão da importância das relações amorosas nos jogos políticos da época.
     O autor vai ainda buscar, como pano de fundo dos acontecimentos históricos, a célebre polémica quanto à hipótese de D. Afonso Henriques não ser o filho de D. Teresa e do Conde D. Henrique. Interessante como elemento que permite desenvolver a intriga, e que leva Chamoa e Lourenço Viegas a uma aturada investigação. Hoje, na minha opinião, este é um boato sem importância. Como afirma o rei foi ele quem fez as conquistas, foi ele quem elevou o condado a reino e como tal, é ele que merece o reconhecimento. Claro que o autor resolve esta questão, dando-nos a sua opinião de uma forma coerente e plausível.
     Por todas estas razões, e fundamentalmente pelo prazer que é ler este livro, esta trilogia termina de forma brilhante, com a conquista de Lisboa. Agora, meu caro, Domingos Amaral, falta o além-Tejo. 


     Sinopse: E se D. Afonso Henriques não fosse filho de D. Teresa?
      Incapaz de vencer Afonso Henriques nos campos de batalha, o seu primo direito e imperador da Hispânia, Afonso VII, lança contra ele uma intriga infame. Nascido com deficiências nas pernas e aleijadinho, Afonso Henriques teria sido trocado à nascença por outro menino. Assim, o verdadeiro filho do conde Henrique e de Dona Teresa não é o usurpador que usa o seu nome, mas talvez um dos filhos de Egas Moniz, que terá inventado um milagre de Nossa Senhora para encobrir a sinistra troca das crianças.
A primeira a conhecer esta tenebrosa malícia é Chamoa Gomes, eterna paixão de Afonso Henriques, que por amor começa a investigar a história, ao mesmo tempo que Egas Moniz e outros notáveis portucalenses a tentam afastar da corte, pois não querem que ela seja a primeira rainha de Portugal.
     Ao longo de sete anos, Chamoa Gomes e Lourenço Viegas, o filho mais velho de Egas Moniz e narrador da história, vão tentar descobrir o que passou trinta e tal anos antes, aquando do nascimento de Afonso Henriques e também no dia da morte de seu pai, o conde Henrique.
     Enquanto o mistério se adensa, o reino de Portugal cresce no norte e no sul, em lutas permanentes contra os leoneses de Afonso VII e os muçulmanos da Andaluzia. Apesar de falhada uma primeira tentativa de tomar Lisboa aos mouros, Afonso Henriques é reconhecido rei em Zamora, casa com Mafalda de Sabóia e conquista ainda a cidade de Santarém. Mas é só durante o segundo cerco a Lisboa, durante o qual os portucalenses contam com a fundamental ajuda dos cruzados vindos do Norte da Europa, que a vil intriga de Compostela se virá a esclarecer.