quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Cartas do Pai Natal de J. R. R. Tolkien

     Opinião: Por causa da Maratona Christmas in the books, onde se pedia para ler um livro epistolar, e seguindo a sugestão de uma das responsáveis pela referida Maratona, resolvi ler Cartas do Pai Natal de J. R. R. Tolkien. Este devia ser um dos poucos livros deste autor que eu não li nos meus anos de juventude.
A primeira coisa que me despertou a atenção foi a enorme beleza estética do livro. Trata-se de um livro lindíssimo onde as ilustrações, do próprio autor são uma mais valia para a leitura. Depois temos a reprodução das cartas em si mesmas, onde está presente o universo que conhecemos do Senhor dos Anéis, e de outras obras, mas com a vantagem de serem assinadas pelo Pai Natal e enviadas a crianças.
     As Cartas do Pai Natal são epistolas que Tolkien enviou para os filhos, em cada dezembro, sendo que o destinatário principal vai-se alterando conforme a idade do primeiro vai avançando. Nestas vamos sabendo do trabalho que o velho das barbas brancas tem por esta altura do ano e como se vive atarefadamente no Pólo Norte. São-nos apresentados os amigos que aí habitam e por vezes ajudam São Nicolau com os seus trabalhos. A saber: Bonecos de Neve, Elfos, Ursos das Cavernas, Homem da Lua, sem faltar os duendes e as suas lutas, que, como sabemos, não são as personagens mais simpáticas do universo. A juntar a esta ‘tribo’ o autor das cartas cede, esporadicamente, o seu papel de autor ao Urso Polar ajudante principal, ou talvez não, e responsável pelo bom funcionamento da fábrica, ou talvez não ,e ao Elfo Ilbereth, que tem uma letra fantástica.
    Este livro é, pois, um regresso à infância e à magia do Natal na sua plenitude. Pelo meio, ficam as lições, mais subentendidas que expressas, onde se defende que nem tudo o que as crianças pedem pode ser dado, nem mesmo pelo Pai Natal.
      De referir, a jeito de conclusão que o autor teve quatro filhos (John, Michael, Chris e Priscilla), vivia em Londres e as cartas foram escritas entre 1920 e 1943 ou seja entre as duas guerras. Se este espetro histórico estiver presente durante a leitura podemos considerar este livro ainda mais fantástico, visto que, pelo menos enquanto liam as cartas, estas crianças podiam abstrair-se da cruel realidade e viver a magia do mundo encantado construído pelo pai. Desculpem, pelo Pai Natal.
    Não sendo um livro brilhante é um livro ternurento onde os fans do autor poderão (re)descobrir as referências fantásticas do mundo de Tolkien e, ao mesmo tempo, a magia desta época.

     Sinopse: Em cada Dezembro, os filhos de J. R. R. Tolkien recebiam um envelope com um selo do Pólo Norte. Lá dentro, estava uma carta numa estranha letra aracnóide e um desenho belamente colorido.
As cartas eram do Pai Natal.
     Elas contavam maravilhosas histórias da vida no Pólo Norte: desde a forma como o Pai Natal preparava os brinquedos às travessuras com que o seu Urso Polar o atrasava, desde os amigos que frequentavam a sua casa (Bonecos de Neve, Elfos, Ursos das Cavernas e um Homem da Lua) até às batalhas com os maléficos duendes que ameaçavam a saída do mais famoso trenó.
     Por vezes também o Urso Polar rabiscava alguma nota, ou então era o Elfo Ilbereth que escrevia na sua elegante letra floreada, acrescentando ainda mais vida e humor às histórias.
     Este volume reúne as cartas e os desenhos com que a imaginação de Tolkien fecundou a dos filhos. Nenhum leitor, criança ou adulto, deixará de ficar encantado com a inventividade e a «autenticidade» destas Cartas do Pai Natal.
     J. R. R. Tolkien nasceu em 3 de Janeiro de 1892. Para além de uma longa e distinguida carreira académica, tornou-se mais conhecido pelas suas extraordinárias obras de ficção: O Hobbit, O Senhor dos Anéis e Silmarillion, para além de outras histórias e ensaios. Os seus livros estão traduzidos em mais de 40 línguas e venderam vários milhões de exemplares por todo o mundo. Tolkien morreu em 1973 com 81 anos.







Até logo!


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Chá e corações partidos de Trisha Ashley

     Opinião: Trisha Ashley não sendo uma das minhas autoras de eleição acaba por ser uma daquelas autoras que mais cedo ou mais tarde acabo por ler os seus livros. Costumam ser histórias mais ou menos leves, próprias para esta época. (as capas em si mesmas e os títulos indiciam esta época natalícia).
Mas a verdade é que este Chá e corações partidos me prendeu a atenção desde o início. Não se trata, de todo, de uma história de encantar, embora tenha um final feliz. É um livro de descoberta de si mesmo e das suas raízes, depois de ter feito um percurso que levou a personagem principal, Alice Rose, até ao seu destino.
     Alice foi abandonada logo após o seu nascimento e adotada por um casal onde sobressai a figura paterna, em detrimento da figura materna que nunca demostra um sentimento de amor, ou mesmo de empatia. A morte súbita do pai leva-a a abandonar o seu lar e a tentar refazer a sua vida noutros locais. Mas a verdade é que mais uma vez o sentimento de perca assola a vida da jovem e, nesse momento, ela resolve ir à procura das suas raízes e da sua mãe.
     Assim vai para Haworth onde consegue realizar o sonho de abrir um salão de chá, ao mesmo tempo que consegue editora para publicar as suas histórias, histórias de encantar de terror. E aí tudo começa de verdade.
    O livro é bastante interessante pois está escrito a duas vozes. Ou seja, os capítulos que nos dão a história atual de Alice estão escritos na primeira pessoa, e entre esses mesmos capítulos temos pequenos apontamentos sobre a vida de quem abandonou Alice, desde o momento do seu nascimento. Temos, pois, a compreensão do que se passou e a análise da atualidade pelas duas personagens envolvidas.
    O final, não deixando de ser previsível, acaba por ser surpreendente para o leitor. Eu gosto muito de livros cuja construção nos leva a criar certezas que depois se desmoronam numa ou duas páginas, e nos levam a pensar que a solução do autor era evidente e não poderia ser de outra forma, que estava mesmo à vista, o problema é que olhámos para o lado e aí nos centrámos.
    Por tudo isto, e ainda o que o livro contém, a nível dos sentimentos e da reflexão sobre os mesmos no que respeita às diversas personagens (de notar que existem aspetos colaterais às personagens principais bastante interessantes) posso afirmar que considero este, o melhor livro da Trisha Ashley. 

    Sinopse: Alice Rose foi abandonada na agreste charneca do Yorkshire quando era ainda bebé. Os anos que se seguiram não foram muito melhores, pois, apesar de ter sido adotada por um padrasto carinhoso, a madrasta sempre nutriu por ela um sentimento de raiva. Já em adulta, a tragédia volta a assolar a sua vida...

    Sozinha no mundo, Alice decide regressar a Haworth, a terra da sua infância.      Ocupa um pequeno estabelecimento, acalentando o sonho de finalmente assentar e abrir um salão de chá. Mas a vida parece ser sempre uma provação, e o arranque é tudo menos tranquilo... Felizmente tem a escrita (para a confortar) e um vizinho grego, o belo Niles (para a distrair). Mas com tanto a seu desfavor, conseguirá algum dia ser verdadeiramente feliz?
    Trisha Ashley brinda-nos com uma obra repleta de ternura sobre a conquista dos nossos sonhos, a importância de criar raízes, e, claro, o poder transformador do amor.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Passa a noite comigo de Megan Maxwell

     Opinião:Megan Maxwell aparece com outro livro que é uma sequela da série Pede-me o que quiseres, embora na minha modesta opinião se possa ler em separado. Na verdade Denis é amigo de Eric, Judith, Mel… personagens da referida série, e que aparecem neste livro, embora esta narrativa nada tenha a ver com as anteriores. A referência a personagens já conhecidas e a factos anteriores estão de tal forma bem explicados que a leitura dos livros não é obrigatória, (embora seja um prazer).
    Passa a noite comigo conta a história de Lola e Denis, uma bonita espanhola professora de dança e um ‘apetitoso’ brasileiro professor de matemática (embora de noite dê aulas de forró numa academia). Após se terem conhecido de forma inusitada, acabam a trabalhar no mesmo colégio, propriedade do pai de Lola, um diretor conservador, cheio de juízos de valor, para todos, menos para si mesmo.
  A vida destas personagens cruza-se e, logicamente vão acabar por se apaixonar. Mas Lola tem uma existência complicada, cheia de segredos, que sendo revelados poderá causar um abalo em toda a família. Assim o ‘caso’ secreto entre os dois, complica-se com a mistura de sentimentos e ambos terão de lidar com a novidade da paixão, dos ciúmes, e com a capacidade de compreensão para resolver os problemas que vão surgindo.
   Maxwell consegue mais uma vez, juntar a sensualidade das suas descrições, mesmo em ambientes menos ortodoxos, com uma história de amor que sendo complicada é suficientemente coerente para prender a atenção do leitor. De referir, principalmente para quem não conhece a autora, (será que ainda há alguém?) que as descrições eróticas são muito bem-feitas, sem criar nunca constrangimentos a quem lê, mesmo nos momentos em que o comportamento das personagens poderia ser considerado menos comum, ou mais desviante. Neste livro em particular existe aí uma componente amorosa, de vontade expressa e descoberta comum que tornas as descrições bastante interessantes.
Outro aspeto que adoro nas obras desta autora é a sua permanente referência a músicas e numa narrativa com dois professores de danças tal não podia passar ao lado. Através destes livros tenho descoberto a música de língua espanhola e os seus cantores. Confesso que leio os livros dela com as músicas referidas como banda sonora o que valoriza, e muito, suas obras.

   Assim sendo posso afirmar que este é mais um livro a ler, sendo que já estou a aguardar o próximo com ligação a esta série e o terceiro de As guerreiras Maxwell. 

     Sinopse: Um romance atrevido e contemporâneo! Uma história de amor que faz sonhar, com ritmo, paixão e sentimentos à flor da pele. Este livro é uma sequela da série Pede-me O Que Quiseres. Recheado de amor, luxúria e sexo, tem uma história de amor bastante forte com a componente erótica própria deste género. Fará as delícias das fãs da autora e das leitoras mais românticas.



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Limões na Madrugada de Carla M. Soares

     Opinião: Confesso, envergonhada e triste, que este é o primeiro livro que leio da Carla M. Soares. Envergonhada porque tenho todos os livros dela, que aguardam na estante a sua vez. Triste porque só agora percebo o que tenho estado a perder.
    Esta história de Adriana e da sua família está muito bem escrita e muito bem contada. Adriana foi bastante jovem para a Argentina e acaba por regressar a Portugal devido a uma herança deixada por uma tia paterna de quem ela tem escassas memórias.
   É, pois através deste acontecimento que a personagem principal do livro e o leitor vão descobrir o que aconteceu no Porto, e que levou à ‘fuga’ do pai de Adriana para o continente americano, terra natal do lado materno da sua família. Por outro lado, e com tempos diferentes que se cruzam vamos, também, tendo conhecimento da vida desta jovem na Argentina e de como se deu todo o seu crescimento até ao regresso a Portugal.
   Tratando-se de uma mini saga familiar, a história retrocede apenas duas gerações, o livro acaba por nos dar uma história que não sendo comum poderá acontecer com qualquer um de nós. Mas a parte mais atraente deste livro, na minha opinião, é a forma como Carla M. Soares trata e caracteriza as suas personagens. Na verdade, neste livro não há heróis. Há pessoas, gente com qualidades e defeitos, em alguns mais defeitos que qualidades, mas gente que vive a vida como a sente, como o destino lhe permite, pedindo desculpa ao errar e avançando sem temer esses mesmos erros.
   Adriana tem ela mesmo, ao longo do livro, uma construção enquanto mulher que a vai fazer crescer e reconhecer as prioridades da sua vida. Não acho, como diz na capa, que ela não devesse vir para conhecer o seu segredo. Considero que ela se tornou mais forte, mais mulher, mais ela, depois de ter descoberto as suas raízes, por muito nefastas que sejam. Como diz o poeta só sabendo é que poderemos trilhar o nosso caminho e saber para onde devemos ir. Adriana quando acaba esta façanha sabe perfeitamente o que quer fazer da sua vida, tendo consciência do que depende e não depende dela mesma.
   Com uma capa lindíssima, diz a publicidade que este livro é “Emocionante como Allende. Misteriosa como Ferrante. Portuguesa como Agustina”, e diz bem. Achei o ambiente onde se passa a ação semelhante ao de alguns livros de Agustina, sem ser imitativo. Tal como com Isabel Allende aqui as personagens principais são mulheres, reais, sem heroísmos pouco plausíveis, mas as lutadoras, defensoras dos seus ideais e da sua vida. No entanto, agradou-me e prendeu-me mais que Ferrante.
    Como tal Limões na madrugada é um livro que recomendo vivamente e certamente me fará tirar as outras obras da autora da estante. Talvez assim a vergonha passe. 

Sinopse: Ansiosa por regressar à Argentina, mas presa a Portugal, distante do homem que ama e da mulher com quem vive, Adriana está perante um dilema universal e intemporal: manter-se comodamente na ignorância ou desvendar o passado da família, como se de um caso policial se tratasse, enfrentando assim aquilo de que andou a fugir toda a vida, por mais doloroso que seja.



Num jogo magistralmente imaginado pela autora, entre a vida atual de Adriana e os ecos do Portugal antigo, machista e violento dos seus pais e avós, esta história, de uma família e dois continentes, é uma viagem entre o presente e o passado, uma ponte sobre o fosso cultural que separa as gerações, um tratado sobre tudo aquilo que a família pode fazer à vida de um só indivíduo.



Entre a sombra e a luz, deixando que por vezes os silêncios falem mais alto do que as palavras, Limões na Madrugada é um romance sobre o amor incomum, o poder da família e a necessidade da coragem.


UMA HISTÓRIA TÃO SUBTIL QUANTO IMPLACÁVEL. 


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Melodia Inesperada de Jodi Picoult

     Opinião:Continuando o projeto Um ano com a Jodi este mês li Uma Melodia Inesperada. O livro é de 2011, quer o original, quer a tradução portuguesa, mas continua, infelizmente, bastante atual.
   Zoe está há 10 anos a tentar engravidar e quando parece que tudo está a correr bem, sofre um aborto espontâneo, de onde nasce um nado-morto. Depois, e por saturação, acaba por se divorciar do seu marido Max.
   Max acaba a viver em casa do irmão e aproxima-se da Igreja da Glória Eterna enquanto Zoe acaba por se aproximar de Vanessa, com quem inicia uma relação homossexual. Tudo estaria enquadrado, caso não fosse a existência de três embriões congelados que ambas as partes requerem para si. Zoe e Vanessa querem ter filhos, Max quer doá-los ao irmão e à cunhada, que também têm problemas de fertilização. No meio, uma igreja que não aceita a homossexualidade e que, simultaneamente, se quer promover.
   Com este pano de fundo Jodi Picoult constrói a história a partir de três vozes, Zoe, Vanessa e Max, sem se deter nas argumentações dos vários pontos de vista das personagens.
 Como sempre a autora põe-nos a pensar, percebendo nós que os acontecimentos e as consequências destes na vida das pessoas nunca é monocromática. Na verdade, e independentemente do que achamos, os seus livros e as suas histórias mostram-nos os diferentes lados do problema, quer ele seja religioso, social ou mesmo jurídico.
  Não querendo contar pormenores, de forma a não comprometer uma futura leitura, posso afirmar que nem as religiões, nem o sistema jurídico americano ficam muito bem vistos neste livro. O problema é que podemos facilmente extrapolar estas considerações para a Europa ou mesmo para o nosso país. Os desígnios de alguns representantes das diferentes religiões e as leis, muitas vezes esquecem as pessoas e os seus sentimentos, para se basearem no que está escrito, ou na manipulação que podem fazer com esses mesmos escritos.
   Sendo um livro que se lê muito bem, mais uma vez fiquei agradada pelo facto de cada voz ter um tipo de letra diferente. Este simples facto permite-nos identificar a personagem que fala mesmo que, por qualquer motivo tenhamos de interromper a leitura, sem ter que ir ver quem fala, no início do capitulo.
   Este é, pois, um livro sobre diferentes assuntos perfeitamente atuais e que vão sendo, uns mais que outros, analisados através da escrita da Jodi. De referir, ainda, que a profissão da Zoe, terapeuta musical, poderia ter sido mais explorada, pois pareceu-me bastante interessante o seu nível de intervenção. É, no entanto, uma obra onde quem vence são as pessoas e o seu bom carácter, o que nos dá uma esperança em relação ao futuro, neste mundo tão violento.
    Apesar de o livro ter seis anos esta é uma leitura que recomendo. 

    Sinopse:Zoe Baxter passou dez anos a tentar engravidar e, quando parece que este sonho está prestes a realizar-se, a tragédia destrói o seu mundo. Como consequência da perda e do divórcio, Zoe mergulha na carreira como terapeuta musical. Ao trabalhar com Vanessa, o relacionamento profissional entre as duas transforma-se numa amizade e depois, para surpresa de Zoe, em amor. Quando Zoe começa a pensar de novo em formar família, lembra-se de que ainda há embriões dela e de Max congelados que nunca foram usados.




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Mal Me Quer de M. J. Arlidge

    Opinião: M.J. Arlidge é daqueles autores que eu tenho de ler. E rapidamente. Também sei que quando começo dificilmente consigo parar. 48 horas foi o tempo necessário para ler este seu Mal Me Quer.
    Mais uma vez o autor retoma a inspetora Helen Grace, recém recuperada de um episódio traumático e bastante grave (ver o livro anterior). Esta policia vai ser a primeira testemunha daquilo que parece ser um acidente de viação. Mas a verdade é que se trata de um crime, aparentemente gratuito.
    Se assim fosse o livro teria tomado outro rumo, mas a verdade é que duas horas depois outro assassinato acontece. Relação? Nenhuma. O certo é que uma cidade aparentemente calma se transforma num centro de terror, onde a policia anda sempre um passo atrás dos acontecimentos e dos homicidas. O livro está marcado temporalmente e, em cada capítulo, sabemos quanto tempo passou sobre a ocorrência anterior.
    Helen Grace acaba por ser obrigada a esquecer o seu passado longínquo e recente, por forma a manter a sua atenção num conjunto de crimes que vão proliferando pela cidade, a sua cidade, sem relação aparente. Mas a certeza que todos temos, leitores e personagens,  que estes crimes são brutais e foram, certamente, planeados. A história adensa-se quando consciencializamos que se trata de dois jovens cujas motivações são inicialmente profundamente obscuras. É como se a transgressão fosse gratuita.
    Arlidge continua a escrever capítulos curtos, mas que prendem o leitor e nos  levam a uma leitura compulsiva e viciante. Nada é deixado ao acaso e os factos são dados a conta gotas, mas no momento certo, por forma a prender a atenção ao leitor.
    No final do livro fui ler a sinopse da contracapa e fui ver como o livro se chamava em inglês, bem como a data da edição original, pois as referências politicas existentes são da atualidade, o que me despertou a curiosidade. O livro é deste ano (parabéns à Topseller que soube ser célere na tradução) e chama-se Love Me Not o que nos leva à cantiga de criança para a qual o titulo português e a contracapa também remetem.  Este pode ser visto como uma ironia do autor. Uma lengalenga infantil para assassinatos tão brutais, mas para o leitor, quando acaba o livro, faz todo o sentido, que a obra assim se chame.

    Mais detalhes? Mais pormenores? Nem pensem. Façam a coisa inteligente para quem gosta de trailers. Leiam o livro. E depois digam de vossa justiça, aqui no blog.

    Sinopse: MAL ME QUER
    O corpo sem vida de uma mulher é encontrado no meio da estrada. À primeira vista parece tratar-se de um acidente trágico, mas quando a inspetora Helen Grace chega ao local do crime, torna-se claro para ela que a mulher foi vítima de um assassínio a sangue-frio sem razão aparente.
    BEM ME QUER
    Duas horas depois, do outro lado da cidade, um empregado de loja é morto, enquanto os seus clientes escapam ilesos.
    MAL ME QUER
    Ao longo do dia, a cidade de Southampton viverá um clima de terror às mãos de dois jovens assassinos, que parecem matar ao calhas.
    BEM ME QUER
    Para a inspetora Helen Grace, este dia vai tornar-se uma corrida contra o tempo. Quem vive? Quem morre? Quem será o próximo? O relógio não para…
Se Helen não conseguir resolver este quebra-cabeças mortal, mais sangue será derramado. E, se cometer algum erro, poderá muito bem ser o dela… 


sábado, 18 de novembro de 2017

Visualizações


     Depois de ter conhecido várias bloggers encantadoras e depois de ter durante dois, três anos uma página no Facebook de partilha de opiniões, acabei, por criar este blog.
    No dia 8 de julho senti-me cheia de força e comecei esta aventura. A partir daí a vontade de escrever e partilhar convosco aquilo que leio foi tornando-se mais intensa. E agora quatro meses depois venho que tenho mais de 5000 visualizações. Para outros poderá ser pouco, mas para quem começou pensando que seria um cantinho onde só os amigos, por isso mesmo, porque eram amigos, viriam ler é enorme e surpreendente.
   Agradeço a todos, os que conheço e, principalmente, os que não conheço, pela confiança e demostração de carinho. Peço só que comentem mais, digam se concordam, se discordam, o que acharei. Trocar ideias é a forma de nos abrirmos para o mundo, e este é todo um novo mundo para mim.
   E assim vou continuar, por vontade e divertimento próprio e, porque gosto de saber que estão desse lado. Fico à espera dos vossos comentários.

   Bem-hajam


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Rutura Mortal de J. D. Robb

     Opinião: Cada vez gosto mais dos livros da J.D.Robb. Acho que gosto ainda mais da Nora Roberts quando ela escreve sobre o seu pseudónimo. A verdade é que a história é sempre atraente, a inspetora Eve e o seu atraente marido Roarke, são duas personagens muito bem construídas mesmo naquilo que os distingue.
     Esta história não foge ao habitual. Eve tem de investigar um duplo homicídio em que a principal suspeita é uma funcionária da empresa de segurança do seu marido. E, ainda por cima, não é uma funcionária qualquer, é a filha da secretária e amiga de Roarke.
     Como se não fosse já o bastante durante a investigação, pois nem Eve nem Roarke acreditam na culpa da executiva, descobrem pormenores sobre o passado da inspetora. Detalhes que podem afastar o casal devido aos diferentes pontos de vista quanto às formas de atuar perante o exposto.
É nesta dualidade que acabam por trabalhar em conjunto, no que ao caso diz respeito, e por se afastar, no que ao casamento se trata.
     Esta ambivalência de sentimentos e ações, acaba por o tornar num livro denso, em que a investigação policial, sempre muito bem descrita e com uma análise psicológica primorosa, nos leva, desta vez, para um conjunto de reflexões dos protagonistas sobre o amor. Muito interessante, pois estas são de tal forma distintas que acabam por acentuar as diferenças entre o casal e demonstram os caminhos diferentes que fizeram na vida até se encontrarem.
     Depois temos todas as personagens secundárias, mas que acompanham este casal, quer seja de forma pessoal, quer seja de forma profissional. Todas elas servem para criar um ambiente que nos envolve e nos cativa. Os diálogos são interessantes e refletem a forma como os outros vêm o casal, quer seja profissionalmente quer seja pessoalmente.
    Sendo uma série passada no futuro, onde os androides se cruzam com os humanos e os gadgets são uma presença assídua, a verdade é que podemos reconhecer muitos dos nossos dilemas e dos nossos problemas, acabando por ser uma série onde o que importa realmente é o ser humano. 

     Sinopse: Reva Ewing é uma especialista em segurança nas empresas Roarke. Agora é também a principal suspeita de um duplo homicídio. Tinha todos os motivos para matar o marido que cometera adultério com a sua melhor amiga.

      Mas a tenente Eve Dallas acredita na inocência de Reva. Os seus instintos dizem-lhe que tudo parece excessivamente planeado no local do crime e, à medida que ela investiga, surgem novos detalhes: a vítima morrera esfaqueada com uma faca de cozinha e foram destruídas informações vitais no seu computador.

     Para Roarke, esse ataque informático constitui a verdadeira ameaça. Ele e Reva preparavam um novo programa para combater terroristas cibernéticos que infetam sistemas informáticos de empresas. E agora, de modo a impedir que um vírus se propague no país inteiro, terão de ser eles a infiltrar-se em organizações secretas… e a lidar com as consequências mortais.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Maratona Xmas-a-thon

     Depois de não ter conseguido participar na Maratona anterior proposta pela Elsa não quero deixar de participar nesta. Mas como já estou em duas outras tenho que ver os livros que posso aproveitar, senão não vou conseguir ler tanto livro.
     A maratona decorre entre o dia 15 de novembro de 2017 e 31 de dezembro.
     As regras são muito fáceis: não há  
   O objetivo, claro é completar o máximo de categorias e principalmente divertimo-nos.
    Eis a minha incompleta TBR! Atenção que pode haver alterações.

CATEGORIAS

1| lê um livro cuja ação se passe num país de clima frio: Jogos Cruéis de Ângela Marsons
 
2 | lê um livro com uma história de família: Os anos da inocência de Elizabeth Jane Howard

3 | lê um livro com mais de 400 páginas: Duas mulheres e dois destinos de Lesley Pearse (464 páginas)

4 | lê um conto de natal: Natal Noite de Rui Zink in Vésperas de Natal

5 | um familiar ou um amigo escolhe um livro de várias categorias possíveis (Fantasia, histórico, Romance, Clássico): Não digas Nada de Brad Parks escolhido pela minha amiga Vanessa Silva Martins

6 | lê um livro inspirado pelas imagens que viste (neve, cavalos, renas, norte da Europa, renascimento, ano novo): A boa filha de Karin Slaughter

7 | cria o teu próprio desafio e partilha-o nas redes sociais: O meu desafio não é um são dois:
Ler um livro escrito por uma mulher: Limões na Madrugada de Carla M. Soares
Ler um livro passado em tribunais: Lei e corrupção de Mike Papantonio


8 | Lê um livro de género diferente ao que estás a ler agora (Uma Melodia Inesperada da Jodi Picoult): Romance: Chá e corações partidos da Trisha Ashley


     Será que é desta que eu consigo completar uma Maratona proposta pela Elsa? A ver vamos. Mas vocês vão ao facebook e participem também. 


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Memórias de uma cortesã de Wray Delaney

     Opinião: Na brilhante capa de Memórias de uma cortesão de Wray Delaney está escrito, e cito: “ Um conto de fadas erótico para adultos”. E é mesmo.
    O livro, embora de 2016, parece um clássico inglês do século XVIII onde se juntam as festas, o poder dos homens nobres, o declínio dos jogadores e a exploração das mulheres pelas figuras masculinas.
   Tully é uma jovem fogosa ignorada pelo pai e que acaba, por força dos acontecimentos, por se tornar meretriz. Ela para além de ser uma mulher lindíssima, sem complexos é também uma jovem e boa alma, que acaba por se mostrar generosa e bem formada. Para além disso tem poderes que a ajudarão em circunstancia nefastas.
   Quando o livro começa Tully está pressa arriscando-se a ir parar à forca. Com esta realidade resolve escrever a sua história de vida e é este flashback que serve de construção literária para a história. Trata-se, pois, de um livro muito bem escrito, em que nos sentimos levados pela descrição da cidade de Londres da época e pelos acontecimentos.
   A construção do espaço é outro aspeto importante e muito bem feito. Os diferentes espaços interiores ou exteriores estão muito bem narrados, sendo esta exposição de uma pertinência absoluta. Vamos da cela da prisão para os espaços amplos e glamorosos do bordel de Queenie, das tabernas para os teatros, sendo sempre correta a apresentação dos lugares ou das próprias personagens ou mesmo no que se refere ao guarda-roupa.
    Não querendo desvendar os mistérios e as aventuras vividas pela jovem cortesã, não posso deixar de referir que o erótico está muito bem tratado e narrado no livro. Não é ofensivo, nem obsceno. Pelo contrário o assunto é tratado com delicadeza e bom gosto. Surge quando deve e, na maior parte das vezes, acaba por ser uma relação amorosa, mais do que um negócio.
   Deixem-me terminar referindo que num momento em que tanto se fala do papel da mulher na sociedade e de violência sobre as mulheres este é um livro que enaltece a figura feminina, as suas competências e o papel que lhe seria devido na sociedade.
     Um livro que aconselho sem dúvida alguma. 

    Sinopse: A jovem Tully chegou a ser a mulher mais desejada de Londres. Agora, todos disputam os melhores lugares para assistir à sua execução. Ela sabe que tem apenas uma hipótese de escapar à forca. Para tal, tem de conseguir contar a história da sua vida à única pessoa capaz de a salvar.
    Nas catacumbas da prisão de Newgate, Tully aguarda... E escreve com a emoção de quem luta pela vida. Casada à força aos doze anos para saldar as dívidas de um pai alcoólico, consegue escapar apenas para ser despachada para o bordel mais sumptuoso da cidade, onde descobre a sua vocação como cortesã. Tully Truegood é órfã, cortesã e aprendiza de um feiticeiro. Será também assassina?
    Pleno de erotismo e realismo mágico, Memórias de uma Cortesã é uma magnífica viagem ao submundo londrino do século XVIII.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O regresso da primavera de Sveva Casati Modignani

     Opinião: Acabei agora mesmo o novo livro de Sveva Casati Modignani o seu O regresso da primavera, e como sempre gostei bastante. Sveva foi uma autora que conheci há anos num jantar, promovido pela Porto Editora, e que fiquei a admirar. Suave, simpática, simples conversou connosco sem filtros. Depois disso os organizadores do encontro permitiram-nos ter um espaço e um tempo de encontro entre leitores e editores tão afável que algumas de nós ainda hoje estamos em contacto.
     Mas adiante. Este livro da Sveva encantou-me. Em primeiro lugar, fiquei fascinada pelo facto das suas personagens principais serem um professor e uma editora de livros. Tudo a ver comigo: escola e livros. E depois a escrita, a temática e o seu desfecho. Sveva mostra uma visão bastante realista da Itália dos nossos dias (o livro é de 2016), sem refúgios ou contemplações.
     Lorenzo, professor de Geografia Económica é um homem culto, empenhado socialmente, e passa pelas mesmas dificuldades que muitos de nós passamos hoje ao sermos professores, quando tentamos ser na verdade educadores.
     Fiamma cumpre o seu sonho de menina ao integrar uma editora fundada por um amigo de infância, amigo esse, irmão, que lhe mostrou um outro lado da vida, sem entraves ou convenções socias, embora ele mesmo as viva e se esconda dessa mesma sociedade.
     A partir deste casal Sveva mostra-nos o nosso mundo, a Itália de hoje, a crise económica, a crise da educação e, muitas vezes, a crise moral, que assola a Europa. Mostra-nos, no entanto, e simultaneamente, que se lutarmos, prosseguirmos, tentarmos, podemos romper esse estigma e ajudar, mudar, fazer melhor. Mais importante do que o amor o livro valoriza o empreendorismo e a vontade de fazer. Pode ser pouco, pode ser um caso ou dois, mas se todos fizermos melhor, o conjunto do pouco poderá fazer o muito e a diferença.
    O livro acaba de forma surpreendente, pelo menos para mim, embora, na verdade, e tendo em conta a construção das personagens ao longo da história, não pudesse ser outro. 
     Permitam-me uma nota pessoal. Obrigada Sveva pela forma como caracteriza os professores e valoriza o seu trabalho didático e pessoal. Durante a leitura do seu livro senti bastante orgulho em pertencer a uma classe profissional que, certamente, tem bastantes Lorenzos, apesar de nem sempre darmos por eles. 



     Sinopse: Passamos muito tempo a perseguir sonhos que nos escapam da mão, uma felicidade que não se deixa aprisionar. E depois acontece que o melhor da vida se revela num instante, talvez na magia de um encontro inesperado. Como aquele que aconteceu entre Lorenzo e Fiamma, surpreendidos por um amor que nem mesmo eles, provavelmente, acreditavam ser ainda possível.
     Lorenzo Perego, um homem fascinante e culto, é professor de Geografia Económica numa escola profissional de Milão. Poderia ter escolhido um estabelecimento de maior prestígio, mas o ensino é a sua paixão e ajudar jovens com talento numa realidade difícil e muitas vezes desoladora é um desafio que o entusiasma e enriquece.
     Fiamma Morino, com pouco mais de 40 anos, é diretora editorial de uma pequena editora de sucesso que ela própria fundou. Agora que a editora está prestes a sofrer uma drástica mudança de gestão, com que Fiamma não concorda, está disposta a tudo para a defender e continuar a garantir o cuidado e o amor que desde sempre dedica aos seus autores.
     Através das vivências de Fiamma e Lorenzo, conhecemos a Itália de hoje, a da crise da Escola e da Economia, mas também aquela que é feita de pessoas empreendedoras, prontas a arregaçar as mangas e decididas a não se renderem.





quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A irmã da tempestade de Lucinda Riley

     Opinião: Primeiro que tudo quero dar os parabéns à editorial Zero a oito pelo facto de ter sido célere a publicar o segundo volume desta coleção de livros da Lucinda Riley, As sete irmãs. Esta saga começou a ser publicada em junho deste ano, com o primeiro volume, e continua agora com a história Ally (Alcíone) a segunda irmã adotada por Pa Salt.
     Este segundo volume passa-se entre a Suíça, onde está a casa patriarcal e a Noruega onde Ally acaba por ir parar seguindo as pistas deixadas pelo pai adotivo para poder descobrir as suas origens. Passo a explicar:
     Pa Salt, homem multimilionário é o proprietário de Atlântida e acaba por adotar seis meninas que viveram consigo, com a ‘mãe’ Mariana e com Cláudia, a governanta. A morte do pai adotivo leva-as de regresso à ilha e a tomar conhecimento das disposições legais que condicionarão o seu futuro. Pa Salt deixou-lhes ainda uma carta individual e pistas que as poderão levar a descobrir as suas origens e a sua família de origem. Tal aconteceu no primeiro volume, respeitante à filha mais velha, Maia, e neste com a filha número dois, Ally.
     Assim sendo Ally que achava ter a vida programada e sem necessidade de procurar nada do que dizia respeito ao seu passado, vai por condicionantes da história, acabar por fazer isso mesmo e descobrir que as suas origens estão na fria Noruega, podendo ter uma ligação familiar com uma lendária cantora do século passado, Anna Landvik.
     O interessante desta saga é a construção que a autora faz da história das irmãs e todo o suspense que as envolve. Na verdade, existe uma sétima pista, para uma possível sétima irmã de que existência se tem conhecimento, mas que nunca viveu na ilha. Para além disso, este pai é um homem bastante misterioso, de que pouco se conhece, chegando as jovens a perceber que, apesar de se sentirem muito amadas e protegidas, pouco ou nada sabiam do trabalho e das ocupações daquele pai que amavam e amam de forma incondicional. No entanto em cada livro vamos descobrindo um pouco mais sobre este homem, embora o mistério também se adense. Outro aspeto notável, e como se parte sempre do momento em que as jovens têm conhecimento da morte de Pa Salt, a história poderia tornar-se repetitiva e pouco atraente. Nada mais falso.
     Outro elemento bastante importante destes livros são as personagens secundárias que acabam por ser uma presença ativa na narrativa, condicionando o comportamento das protagonistas e dando coerência e credibilidade à história, para além de ficarmos a conhecer as suas próprias histórias. 
     Ficamos, pois, à espero que até fevereiro a Zero a oito publique a história de Estrela (Astérope) a terceira irmã, podendo assim os leitores de Lucinda Riley continuarem a seguir os caminhos de vida destas irmãs.

     Sinopse: Em A irmã da tempestade , segundo volume da série As Sete Irmãs, as vidas de duas grandes mulheres separadas por gerações se entrelaçam numa história sobre amor, ambição, família, perda e o incrível poder de se reinventar quando o destino destrói todas as suas certezas. Ally D’Aplièse é uma grande velejadora e está se preparando para uma importante regata, mas a notícia da morte do pai faz com que ela abandone seus planos e volte para casa, para se reunir com as cinco irmãs. Lá, elas descobrem que Pa Salt – como era carinhosamente chamado pelas filhas adotivas – deixou, para cada uma delas, uma pista sobre suas verdadeiras origens. Apesar do choque, Ally encontra apoio em um grande amor. Porém mais uma vez seu mundo vira de cabeça para baixo, então ela decide seguir as pistas deixadas por Pa Salt e ir em busca do próprio passado. Nessa jornada, ela chega à Noruega, onde descobre que sua história está ligada à da jovem cantora Anna Landvik, que viveu há mais de cem anos e participou da estreia de uma das obras mais famosas do grande compositor Edvard Grieg. E, à medida que mergulha na vida de Anna, Ally começa a se perguntar quem realmente era seu pai adotivo. 



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Maratona Christmas in the Books 2017

      Adoro maratonas! 
    Esta foi proposta pelo grupo Leituras Partilhas do Goodreads que já tinha proposto o Book Bingo Leituras ao Sol durante o Verão.
     A maratona decorre entre o dia 1 de novembro de 2017 e 7 de janeiro de 2018.
    As regras são muito fáceis: apenas conta um livro por cada categoria; os contos individuais não são contabilizados; podem ser contabilizados ebooks e audiobooks; são contabilizados apenas 1 Mangá/BD/GN.

   O objetivo, claro é completar o máximo de categorias da Cidade Natal. Apresenta três níveis:
                   A Rena Trapalhona – ler 1 a 4 livros
                   O Urso Polar – ler 5 a 9 livros
                   O Duende Trabalhador – ler 10 a 14 livros
    E por isso se apresentam 14 categorias.

    Como já estou a participar na Maratona Literária Outono/ Inverno 2017 vou tentar conjugar livros que possa utilizar nas duas.

    Embora não esteja completa és alguns dos livros que vão constituir a minha TBR! Atenção que pode haver alterações.

CATEGORIAS

1| Árvore de Natal - A árvore de Natal é dos maiores símbolos natalícios presente na casa de pessoas de todo o mundo. Lê um livro sobre famílias. Os pecados da mãe de Danielle Steel
 
2 | Boneco de Neve - Neve é sinal de inverno. Lê um livro que te lembre o inverno. A boa filha de Karin Slaughter

3 | Posto dos Correios - É neste local a que chegam milhões de cartas de crianças a pedir os seus presentes de natal. Lê um livro epistolar (um livro em forma de carta). Cartas ao pai Natal de J. R.R. Tolkien

4 | Estação Meteorológica - O inverno é uma estação do ano tempestuosa. Lê um livro que sai da tua zona de conforto. Estações diferentes de Stephen King

5 | Casa do Pai Natal - A nossa casa é a nossa zona de conforto, o nosso espaço. Lê um livro perfeito para um dia frio e chuvoso. Chá e corações partidos de Trisha Asley

6 | Celeiro das Renas - As renas são animais que ajudam o Pai Natal a distribuir os presentes por esse mundo fora. Lê um livro que fale de uma viagem. Sinal de vida de José Rodrigues dos Santos

7 | Fábrica dos Brinquedos - É neste local que são feitos os brinquedos para as crianças. Lê um livro em que as crianças sejam o ponto principal da história. 

8 | Casa dos Duendes - Os duendes são figuras mitológicas que ajudam o Pai Natal. Lê um livro que contenham algum elemento de fantasia. Rutura Mortal de J.D. Robb

9 | Biblioteca - Esta é a casa dos livros. Lê um livro sobre livros. A livraria dos destinos de Veronica Henry

10 | Cozinha de Natal - É aqui se preparam as melhores iguarias e doces do Natal. Lê um livro que seja “doce” para ti.  Duas mulheres, dois destinos de Lesley Pearse

11 | Armazém dos Presentes - Aqui estão guardados os presentes para serem oferecidos às crianças na noite de Natal. Lê um livro que te foi oferecido. (Malta faço anos em novembro e em dezembro é Natal)


12 | Loja de Natal - No Natal gostamos de oferecer presentes aos nossos amigos. Lê um dos últimos livros que compraste. Limões na Madrugada de Carla M. Soares

13 | Praça central - Esta é a cidade Natal dos Livros. Lê um livro que se passe no Natal. O último Natal em Paris de Hazel Gaynor

14 | Pai Natal - O Pai Natal é uma das figuras mais emblemáticas do Natal em todo o mundo. Lê uma biografia ou uma história de vida. Catarina de Bragança de Sarah -Beth Watkins



Definitivamente adoro Maratonas!


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Aos seguidores do blog

Amigos
Tive um problema com o separador dos seguidos e tive de o recomeçar. Assim a quem tinha tido a gentileza de ser seguidor, e quiser continuar a ser, agradeço que o volte a fazer. Obrigada pelo carinho e interesse


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Astérix e a Transitálica

     Opinião: Para início de conversa eu cresci com os livros do Astérix. Quando eu era mais nova havia uma revista, penso que semanal, chamada Tintin que se comprava nos quiosques e que para além das aventures do herói que lhe dava o nome trazia entre outros o Lucky Luke e o Astérix.
   Assim sendo foi com algum pesar que olhei para a capa deste novo livro e não vi os nomes que fazem parte do meu imaginário de criança René Goscinny e Albert Uderzo, argumentista e desenhista, embora Uderzo também tenha escrito sozinho alguns álbuns do herói gaulês.
     Quando estive a programar a minha TBR para a Maratona Literária Outono /Inverno e reparei que o oitavo desafio geral era ler uma grafic novel, banda desenhada ou mangá e tendo eu conhecimento que ia sair um novo Astérix, nem hesitei na escolha. E esperei a sua publicação.
     Foi, pois, com o entusiasmo costumeiro que me sentei com o meu livro mal este chegou cá a casa. E foi rápido entender que já não era a mesma coisa. Didier Conrad acaba por ser muito fiel às ilustrações antigas, no que respeita aos espaços conhecidos de outros livros, nomeadamente a aldeia gaulesa. E isso é reconfortante.
    No entanto Jean-Yves Ferri não é Goscinny. O autor atual escreve bem e tenta atualizar os diálogos à realidade do século XXI, o que é divertido e interessante de ler. Mas acaba por saber a pouco. A ironia, os desacatos entre as personagens, mesmo a gula do Obélix, ou as zangas entre as duas personagens principais, até a forma como Obélix olha as suas jovens adversárias, não têm a mesma dimensão, o mesmo encanto e, como tal, não cativa.
     De referir que li no livro anterior destes heróis já escrito e desenhado por estes autores e não tive a mesma sensação. Na altura lembro-me de pensar que a herança estava bem entregue e que iriamos continuar a desfrutar das aventuras destes destemidos gauleses contra o império romano com entusiamo durante mais uns anos. Lembro-me de achar que ainda bem que existiam autores e desenhistas que respeitavam a memória coletiva de algumas gerações.
     Se calhar é por isso que a desilusão é maior. Mas acreditem que não me dou por vencida e se outro livro aparecer, outro livro irei ler. De qualquer modo fica aqui concluído o desafio 8 da Maratona Literária Outono /Inverno 2017.  


     Sinopse: Novo álbum das aventuras de Astérix (o nº 37), assinado pela nova dupla de autores que já foi responsável pelos dois álbuns anteriores, Astérix entre os Pictos e O Papiro de César.
     O lançamento será simultâneo em todo o mundo e ocorrerá em 19 de outubro de 2017, sendo que a ASA irá lançar uma versão em português (na data do lançamento mundial) e outra em mirandês (a lançar em novembro). 
     Como já é habitual, os pormenores sobre este novo álbum estiveram (e em grande parte continuam) envoltos no mais rigoroso sigilo. 
Para já, sabe-se apenas que desta vez os irredutíveis gauleses irão visitar a Itália!



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Até os mares serem desertos de Julia Quinn, Eloisa James e Connie Brochway

     Opinião:Qualquer livro que tenha o nome de Julia Quinn na capa vai despertar a minha atenção e este Até os mares serem desertos não foi exceção. No entanto, e devido à minha mania de não ler a contracapa, achei que se tratava de um livro de contos, pois aparecem em coautoria mais dois nomes, um dos quais, Eloisa James, reconheço de livros que tem escrito em nome individual.
     Nada mais falso. Este é um romance dividido em três partes, três casais, em que cada parte é escrita por uma autora. Este acaba por não ser um livro escrito a seis mãos, pois nós sabemos exatamente quem escreveu que parte. Assim sendo, temos uma sequência temporal, dividida em três partes com responsabilidades autorais diferentes e centrada em três casais.
     Um aristocrata falido das Terras Altas da Escócia acaba por raptar quatro donzelas de um baile local, com o intuito de casar, com duas delas, os seus sobrinhos e herdeiros. No entanto na fuga acaba por roubar também a carruagem de Lord Bretton, com o referido nobre no seu interior. Para agravar a situação uma tempestade de neve torna as estradas intransitáveis o que faz com que as donzelas só possam ser salvas três dias depois.  E três dias é muito tempo e muita coisa pode acontecer.
     O interessante é que o livro está equilibrado, embora existam sempre características de escrita que nos levam a identificar a autora, se não tivessem nomeadas. Na verdade, se não me admirei da cadencia narrativa das autoras que já conhecia, Connie Brochway, a ilustre desconhecida do trio, foi uma agradável surpresa, pois consegue manter uma narrativa interessante, coerente, conseguindo mesmo transformar uma personagem até então descrita como alguém introspetivo, numa personagem dinâmica e com caraterísticas que se revelam a quando da sua parte. Não existe, pois, um hiato de qualidade textual entre as autoras, mas sim uma homogeneização.
     Quanto ao espaço o romance passa-se todo no mesmo castelo isolado, mas as autoras vão-nos dando espaços diferentes o que nos permite ter uma ideia plena dos castros daquele tempo. Um local que poderia ser exíguo, ou mesmo monótono, pois é sempre o mesmo, acaba por se tornar complementar da caraterização das personagens, e perfeitamente adequado às mesmas. O tempo são os três dias de nevão, divididos pelas suas respetivas partes: manhã, tarde e noite.
Este é pois um romance bastante interessantes, de leitura fácil, que recomendo, para quem gosta deste género, sem hesitação.


     Sinopse: Taran Ferguson, aristocrata arruinado, está cansado de esperar que os seus dois sobrinhos assegurem a linhagem de família através do matrimónio. Perante a passividade dos jovens, resolve tomar medidas (no mínimo) drásticas: invade o baile de um lorde com o objetivo de raptar três potenciais noivas. Mas a situação complica-se quando, inadvertidamente, rapta uma noiva a mais. Entre as eleitas encontram-se agora uma jovem lindíssima, uma herdeira de reputação ligeiramente duvidosa, uma beldade inglesa e uma incauta donzela sem nome e sem fortuna...
     E no regresso a casa a situação complica-se ainda mais. Taran não só terá de lidar com a ira de Lord Bretton, que por azar se encontrava no lugar errado à hora errada, como com o forte nevão que os encurrala a todos no decrépito castelo. À medida que as horas vão dando lugar a dias, a tentação vai insinuar-se entre o insólito grupo. Quem entre eles irá ceder?
     Escrito em conjunto por três das mais talentosas escritoras da literatura romântica contemporânea , Até os Mares Serem Desertos é uma combinação harmoniosa de talento e emoção. Um romance original, refrescante e pleno de magia!



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Gritos silenciosos de Angela Marsons

     Opinião: O livro Gritos silenciosos estava na minha estante desde o ano passado. Na verdade, estava esquecido. No entanto, a publicação da segunda aventura da detetive Kim Stone, fez-me ir buscá-lo para assim poder ler os livros pela ordem correta.
     E em boa hora o fiz, pois, esta primeira obra de Angela Marsons acaba por nos dar indicações sobra o passado pessoal de Kim, que não sei se serão retomados no segundo livro, Jogos cruéis, mas que acabam por completar a história deste primeiro volume.
     Kim tem que investigar, com a sua equipa, um conjunto de assassinatos cometidos no passado, mas que acabam por levar à morte, no presente, possíveis testemunhas. Os crimes do passado passaram-se no terreno de um antigo orfanato, que acabou por ser desativado após um incêndio. Quanto ao presente Stone percebe que sempre que se aproxima de alguém que trabalhou no orfanato, e que poderá ajudar a descobrir o assassino, este aparece morto.
Trata-se, pois, de uma história baseada num acontecimento passado com projeções no presente. As mortes são feitas de uma forma bastante violenta, o que acaba por adensar a trama, a tensão, levando o leitor a continuar a sua leitura, para poder saber quem praticou atos tão impiedosos.
     A construção da inspetora-detetive acaba por não ser surpreendente, visto que ela tem, como começa a ser comum, os seus próprios fantasmas, que acentuam de forma marcante a sua personalidade e condicionam o seu trabalho. Apesar de tudo não deixa de ser uma construção forte, em que Kim surge como alguém cujo passado é responsável por muitas das suas atitudes no presente, não só perante os acontecimentos, mas também perante as chefias e os seus colegas de trabalho e mesmo a sua inexistente vida pessoal.
    A narrativa está bem construída, não havendo momentos mortos, sendo a coerência e a surpresa uma força constante. De realçar o final, pois a autora consegue construir uma sequência de acontecimentos que acabam por ser surpreendentes. E mesmo quando tudo parece resolvido, enquadrado e coeso, Angela Marsons surpreende-nos com uma reviravolta que enriquece o livro e a sua construção narrativa. Na verdade, e tal como é referido na badana, que como sempre li posteriormente, lembra a construção narrativa de Val McDermid no que respeita à tensão que é mantida até à última página. 
     Agora é ler Jogos cruéis e ver se a capacidade discursiva e a qualidade da descrição dos acontecimentos continuam a manter o interesse e levar-nos a ler os livros onde Kim Stone é a protagonista. 

     Sinopse: Cinco pessoas reúnem-se em volta de uma campa rasa. Todos se tinham revezado a cavar. Uma cova para um adulto teria levado mais tempo. Uma vida inocente fora tirada, mas o pacto fora feito. Os segredos deles seriam enterrados, ligados no sangue...Anos mais tarde, uma mulher é encontrada brutalmente estrangulada, o primeiro de uma série de assassínios que choca a região inglesa conhecida como Black Country.Mas quando são descobertos restos humanos num antigo orfanato, são também desenterrados segredos perturbadores. A inspetora detective, Kim Stone percebe rapidamente que procura um indivíduo cruel cujos homicídios se estendem por décadas.Uma vez que as mortes continuam, Kim tem de parar o assassino antes que ele ataque de novo. Mas, para o capturar, será Kim capaz de enfrentar os demónios do seu passado antes que seja demasiado tarde? Os fãs de Rachel Abbott, Val McDermid e Mark Billingham irão ser agarrados por esta excecional nova voz na ficção criminal britânica.