segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pablo Escobar - pela Isabel de Almeida

“Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou”, de Juan Pablo Escobar
Planeta

Texto e Foto: Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista

Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou, é o mais recente livro de cariz biográfico e documental escrito por Juan Pablo Escobar (agora, Juan Sebastián Marroquin Santos), filho do célebre traficante Pablo Escobar. nesta segunda obra o autor desvenda, na sequência de uma apurada investigação por si realizada, tendo por base documentação e testemunhos reais de familiares de vítimas do pai, de aliados e colaboradores próximos do mesmo e até de inimigos assumidos de Escobar, uma série de factos que constituem uma verdadeira pedrada no charco em termos de revelações dos meandros mais obscuros das ligações entre Pablo Escobar e os mundos da política, da corrupção internacional ao mais alto nível, e de organizações que deveriam zelar pela segurança de países e pelo combate ao crime organizado, mas que acabaram, muitas vezes, a revelar-se aliados e cúmplices do mesmo (clamoroso exemplo é, neste caso, a DEA).
O próprio autor reconhece a sua estupefacção ao descobrir muitos destes novos detalhes, mas conseguiu também, com o seu trabalho de investigação, fruto de uma enorme coragem de enfrentar um passado que transporta uma herança deveras pesada, desmistificar alguns factos que eram tidos como certos, e clarificar a prática de crimes que vinha sendo imputada a Pablo Escobar, mas de forma errónea mas conveniente a várias alianças e jogos de interesses obscuros.
O livro relata também ligações entre Escobar e pessoas ou organizações que se revelaram surpreendentes e eram, até agora, desconhecidas até dos seus familiares mais próximos, pois cabe recordar que o narcotraficante era uma figura repleta de ambiguidades, e protegia o mais possível a família do seu modo de vida ilícito.
Ficamos a conhecer o relato de Aaron Seal, filho do Barry Seal (piloto da CIA, informador da DEA e colaborador do Cartel de Medellín, tendo a sua execução sido ordenada por Pablo Escobar, na sequência de haver descoberto uma traição ao Cartel), temos acesso a conversas mantidas entre Juan Pablo Escobar e outras figuras de relevo na história da família Escobar, do narcotráfico e da própria Colômbia. É revelador e interessante ir desvendando os relatos de pessoas tão díspares como: filhos de vítimas de Escobar;William Rodríguez Abadia, filho de Miguel Rodríguez Orejuela, um dos mais firmes inimigos de Pablo Escobar; Otty Patiño, um dos fundadores da organização revolucionária M19 ( que clarificou episódios como o da Espada de Bolívar e do rapto de Marta Nieves Ochoa, ou o verdadeiro papel dos irmãos Castaño no assassinato de Carlos Pizarro); velhos colaboradores de Pablo como o Malévolo; Luca, Quijada (Tesoureiro de Escobar).
Como já havia sido feito no primeiro livro, Juan Pablo Escobar voltou a exercitar na perfeição o seu  dom de envolver os leitores na história que vai relatando, entretecendo de forma natural e bastante hábil factos e emoções, e não se escusando a expressar as suas opiniões bastante claras e fundamentadas acerca do mundo do narcotráfico onde lhe coube viver sem direito a escolha e por inerência da história familiar. O autor usa um discurso claro, detalhado e bem fundamentado com documentos e testemunhos, que complementa com a sua perspectiva pessoal e mais intimista acerca dos duros temas aqui esmiuçados.
O capítulo 12 da obra é, talvez, aquele que poderá suscitar a curiosidade de uma ainda maior galeria de leitores, na medida em que o autor demonstra a sua preocupação perante a imagem idealizada e até mesmo glorificada do modo de vida de um barão da droga (como foi o seu pai), podendo induzir em erro os mais jovens espectadores das narcosséries (séries que, misturando ficção e realidade, se inspiram na vida de figuras do mundo do crime como Pablo Escobar). Neste capítulo do livro Juan Pablo Escobar desmonta peça a peça muitos dos erros da série Narcos (série televisiva produzida pela Netflix e que, nas duas primeiras temporadas, apresenta uma versão ficcionada da vida de Pablo Escobar), em 28 pontos cuja leitura recomendamos a quem, como nós, tenha seguido a série em questão, e que assim pode criticamente formar a sua própria convicção sobre o tema abordado.
O final do livro volta a afirmar taxativamente a perspectiva pessoal do autor quanto ao consumo e tráfico de drogas, apelando a que não seja  seguido o exemplo do seu pai, e desejando que as futuras gerações possam encontrar medidas que permitam controlar este perigo à escala mundial, sendo necessária uma mudança de mentalidades aos níveis social, político e pessoal que, a avaliar pelos números envolvidos no tráfico e consumo de drogas, ainda estará muito longe de se concretizar, até porque se trata de um assunto muitíssimo complexo e que envolve diversos sectores da sociedade.
Mais uma vez, uma obra de não-ficção de fácil, envolvente e rápida leitura, bastante reveladora e surpreendente, que pode constituir um importante alerta para um dos graves problemas de adição que ainda hoje enfrentamos em todo o mundo.

Ficha Técnica do Livro:

Título: Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou
Autor: Juan Pablo Escobar
Editora: Planeta
1ª Edição: Abril de 2017
Nº de Páginas: 200
Classificação: 5|5 Estrelas

Género: Biografia | Testemunho | Caso Real


Tag

E - O que estás a ler

Estou a começar a ler o Assim nasceu Portugal III - Os conquistadores de Lisboa, de Domingos Amaral, autor de quem gosto muito.


domingo, 20 de agosto de 2017

Ameaça entre as sombras

     Opinião: Conheço os livros de Linda Howard desde que a Saída de Emergência publicou os seus livros em 2008, 2009. Depois fiquei à espera. Quando a Arlequin publicou Os Mackenzie confesso que não fiz a associação à autora, logo não li. Agora que HarperCollin publica este Ameaça entre as sombras a relação foi feita e pela boa memória que tinha desta autora, pensei logo que tinha de ser uma das minhas escolhas. E ainda bem
     O livro conta a história de Morgan e Bo. Morgan é o diretor de um grupo de paramilitares que após ter sofrido um atentado, que o leva a uma operação muito complica, vai convalescer para casa da “irmã” do seu chefe. Bo, por seu lado, é uma chefe da policia, de uma pequena aldeia e estava perfeitamente feliz com a sua vida pacata, o seu trabalho, os seus amigos, a sua cadela Tricks. Para além disso os “irmãos” têm uma relação bastante conflituosa o que não ajuda a um possível entendimento entre as personagens principais.
     Se o livro começa por parecer que se vai centrar na tentativa de descobrir quem atentou contra a vida de Morgan, a verdade é que o assunto principal é a relação entre os dois jovens e a sua coabitação, não só em casa, mas também na aldeia. Assim sendo, o livro torna-se leve, com momentos, vários, bastante divertidos protagonizados por Tricks, uma cadela super- esperta, que só lhe falta falar.
     A descrição dos conflitos entre os habitantes da aldeia, e as suas manifestações de carinho, solidariedade e apoio dão uma dinâmica à narrativa que faz com que a leitura seja fluída, onde se pode rir, sorrir ou sentir mesmo uma lágrima. Aquela terra funciona como um pequeno microcosmo com as suas ansiedades, conflitos e sonhos. A caracterização de Bo e Morgan é feita de forma direta e indireta, e assim o narrador permite-nos acompanhar as situações e os pensamentos mais íntimos destas duas personagens em relação aos mesmos. Assim o leitor acaba por saber não só o que se passa, mas também como as personagens principais sentem e analisam os acontecimentos. Ou seja, o leitor acaba por ter uma visão global da trama criada pela imaginação da autora.
     O final acaba por ser previsível, mesmo a solução da tentativa de assassinato, mas está de tal forma bem escrito que acaba por não condicionar a leitura ou torna-la menos agradável. Na verdade, este livro e a autora, continuam a conseguir construir uma história perfeitamente plausível, atraente e mesmo divertida. Posso mesmo dizer que se trata de uma boa aposta da editora, esperando que continue a publicar os livros de Linda Howard. 

Sinopse: Para Morgan Yancy, diretor de operações de um grupo paramilitar, o trabalho estava em primeiro lugar. Mas, depois de sofrer uma emboscada em que esteve prestes a morrer, o seu supervisor estava mais do que decidido a descobrir quem andava atrás dos membros do seu esquadrão de elite... e porquê. Temendo que o inimigo desconhecido voltasse a atacar, Morgan fora enviado para um lugar isolado para ficar escondido, mas vigilante. No entanto, entre a anfitriã atraente, que estava decidido a proteger, e uma ameaça mortal à espreita nas sombras, passar despercebido demonstrou ser a missão mais perigosa que já tinha enfrentado. Bo Maran, a chefe da polícia a tempo parcial da pequena aldeia montanhosa da Virgínia Ocidental, tinha conseguido finalmente construir a vida que desejava. Tinha amigos, um cão e algum dinheiro no banco. E, de repente, Morgan apareceu à sua porta. Bo não precisava de nenhum homem misterioso na sua vida, e menos ainda de um tão problemático, atraente e hermético como Morgan. Para ela já era suficiente apaziguar os habitantes de Hamrickville depois de uma disputa pessoal que tinha ocorrido. Com o passar dos dias e das semanas, era mais difícil, para Bo e Morgan, lutar contra a intensa atração e crescente intimidade, apesar de estar muito consciente de que aquele homem escondia alguma coisa. Contudo, descobrir a verdade podia custar mais a Bo do que aquilo que estava disposta a dar. E, quando o segredo de Morgan fosse descoberto, poderia custar-lhe a vida.




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tag

D - Detestaste ler

     Eu quando não gosto, não leio. Acho que já não tenho idade para fazer fretes. Mas o último que não li até ao fim foi o terceiro volume do Outlander. Achei que era mais do mesmo. Mas sei que vou ser crucificada.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Frágil de Jodi Picoult

    Opinião: Por causa do projeto Um ano com Jodi do grupo da Dora do Books & Movies andei este mês a ler Frágil da Jodi Picoult. Este era um livro, como vários outros da mesma autora, que tinha há muito tempo nas minhas estantes. Não por não gostar da Jodi, mas sim, por gostar demais. Esta autora é daquelas que nos leva por histórias difíceis e que nos faz pensar e repensar sobre esses mesmos temas.
     Este é sobre Willow uma menina com osteogénese imperfeita, conhecida como a doença dos ossos de vidro. A jovem foi diagnosticada antes de ter nascido numa segunda ecografia. Na primeira já havia a possibilidade de haver alguns problemas embora ainda nada que pudesse ser conclusivo. No entanto a mãe de Willow resolve processar por negligência pré-natal a obstetra que a acompanhou, nada mais nada menos, do que a sua melhor amiga, Piper.
     E pronto. Aqui está a história que nos leva para junto de uma família que luta por sobreviver. A juntar temos o pai policia,  que não sabe bem as posições que deve tomar e uma filha mais velha que se sente abandonada e posta de lado por quem a rodeia, inclusive a sua melhor amiga, filha de Piper.
Por seu lado Piper não entende como é possível tal lhe ter acontecido, e gere, se calhar não da melhor forma, como pode esta atitude de alguém em quem confiava sem limitações.
     Mais uma vez a história se entrecruza com outras por forma a criar um desfecho surpreendente. Jodi faz-nos pensar que o que parece ser a melhor solução, nem sempre é, e mesmo quando achamos que temos uma opinião definitiva sobre um assunto, isso não é verdade. Esta autora tem sempre esta característica faz-nos duvidar das nossas certezas, e leva-nos a repensar as nossas convicções.
     E este livro não é diferente. As personagens têm uma densidade psicológica grande, também elas contraditórias e cheias de defeitos. Tal como nós, as personagens praticam ações menos corretas, mesmo que pelos motivos certos, mantêm relações nem sempre perfeitas, mas humanas. Aquelas personagens são os nossos colegas de trabalho, os nossos vizinhos, os nossos amigos, e por isso nos fazem sorrir, nos magoam, nos surpreendem ou nos fazem chorar.

     Embora não seja o melhor livro dela é uma obra que se lê com vontade e nos apresenta um final surpreendente. Foi pois uma forma magnifica de começar este projeto que não quero de todo abandonar.

Sinopse: Willow, a linda, muito desejada e adorada filha de Charlotte O’Keefe, nasceu com osteogénese imperfeita – uma forma grave de fragilidade óssea. Se escorregar e cair pode partir as duas pernas, e passar seis meses enfiada num colete de gesso. Depois de vários anos a tratar de Willow, a família enfrenta graves problemas financeiros. É então que é sugerida a Charlotte uma solução. Ela pode processar a obstetra por negligência – por não ter diagnosticado a doença de Willow numa fase inicial da gravidez, quando ainda fosse possível abortar. A indemnização poderia assegurar o futuro de Willow. Mas isso implica que Charlotte tem de processar a sua melhor amiga. E declarar perante o tribunal que preferia que Willow não tivesse nascido...


O Tag continua

C - Citação literária preferida

Não tenho uma citação literária preferida, mas um dos inícios de que mais gosto é o das Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

     "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco. Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.” 


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A minha Tag

Pergunta B:  Bebida preferida durante a leitura

     Qualquer uma dependendo da estação do ano. No verão Sumo, água no inverno chá